Palavras à Milanesa

Palavras à Milanesa
Não! Este blog não é de gastronomia. Mas de palavras. À Milanesa. Palavras simples como este prato de arroz com feijão, bife e batata frita.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

NOVE







“Marca a hora o relógio, mas o que é que marca a eternidade”? Walt Whitman


É mais uma tarde carnavalesca de verão em que o sol arde no bairro das Laranjeiras, dia 17 de fevereiro. E ele também é um sol. Foi pontual e preciso ao se desprender da barriga da mãe exatamente às 16h09min numa cesárea hercúlea. Num parto-chegada! Vamos combinar, queridos astros, que pelas combinações numéricas de dia e hora de nascimento ele é ímpar. E sendo ímpar, é também meu par, meu princípio, meu príncipe, meu retorno. Volver a los diecisiete. E agora me vejo voltando nove anos atrás àquele 17, e a sentir profundo como uma criança frente a Deus, como cantou Mercedes, a negra Sosa. Nove verões, nove carnavais, nove campeonatos cariocas depois. E aqui estamos. Como se não bastasse, é apaixonadamente Flamenguista, Fiel e Fanático, Francisco ao cubo, e com a bola nos pés. Sempre ela. Bola e Francisco, Francisco e bola. Quem nunca sonhou em ser um jogador de futebol? Além de dar tratos à bola, tem pinta de galã e artista, mas sou suspeito pelo fato de, com a ajuda da mãe, tê-lo feito. Estamos todos em festa na cidade do carná for all, neste país tropical de Dilmas e Rousseffs. É fevereiro, sou Flamengo, ele já tem um violão, não tenho um fusca, mas tenho um nego chamado Francisco, abençoado por Deus!

domingo, 29 de setembro de 2013

Via Dutra





Era um garoto que amava os Beatles, mas não os Rolling Stones. Também adorava Hilda Hilst. Ou HH, como a escritora era também conhecida. Tal como meu pai, eu gostava de música. Vivia música. Gostava também de escrever. Ao contrário de meu pai. Vivia de escrever. Escrevia para viver mas queria viver para escrever. Tinha eu um certo lirismo na alma, mas também algumas pedras no coração. Quando criança, pensava apenas em seguir alguma profissão que me possibilitasse escrever. Escrever, escrever, escrever. Não imaginava que anos mais tarde estaria em cima de morros, fazendo coberturas jornalísticas de acidentes, engarrafamentos, assaltos, sequestros, tudo de mais cruel da miséria humana. É.... Me tornaria um repórter.

Os anos compartilhando os sofrimentos alheios deram-me, no entanto, uma vontade louca de viver apenas meu próprio sofrimento. Meu próprio sofrimento. E eu queria me libertar dele. Talvez vivendo-o, eu me libertaria. Talvez – eu pensava - descobrisse como fazer isso por meio da magia do cinema. Do mundo no qual mergulhamos quando nos encontramos sentados naquelas cadeiras pretas acolchoadas, tendo os olhos fixos na grande tela.

É. Eu queria ser cineasta. Descobri isso quando me tornei jornalista. Havia encontrado na profissão de repórter apenas um atalho para chegar a trabalhar com a sétima arte. Eu me convencera disto. A vida profissional de repórter de rua realmente me havia envolvido numa crosta dura e hermética. Havia me acostumado com a morte sem novidades e de uma tal maneira que já não reservava choro sequer para os três ou quatro parentes próximos que vi desfalecerem nos anos que atuava como cronista da vida urbana, nome mais romântico, creio, para designar o trabalho de um repórter. Talvez este cotidiano, totalmente diferente todos os dias, mas sempre repleto de novas manchetes, me tenha deixado com uma escrita padrão. Uma fórmula pronta. Receita de bolo mesmo. No final das contas, todos os acidentes na Dutra tinham a mesma estrutura, tivessem acontecido em qualquer quilômetro que fosse. Era só alterar o número. - Entre mortos e feridos nem todos se salvaram.

Queria trabalhar com a imagem de uma maneira mais romântica, onde se pudesse, talvez, extrair de uma linda cena de amor um lindo diálogo entre dois personagens, um ensinamento para a vida. ‘Acho que ficou piegas este exemplo. Mas acredito que no fundo, você, leitor, entendeu o que eu quis dizer. Tá bom sem exemplos”.

Algumas coisas em minha vida foram sempre acontecendo, penso eu, com o intuito de me levar para onde eu realmente queria ir. Foi assim quando sai da cobertura de assuntos de Cidade para o Segundo Caderno. Pensei: “Estou mais próximo do cinema agora. Só falta comprar o ingresso”. E o filme reúne John Lennon e Hilda Hilst, com roteiro de Alcir Pécora. Na trilha sonora, a música "De frente pro crime": “Tá lá um corpo estendido no chão”.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Cantos da Cidade




São demais os cantos desta cidade. São demais! Muitos cantos desconhecidos até mesmo dos cariocas. O Monumento Estácio de Sá, no Aterro do Flamengo, parece ser um destes. Projetado em 1973 pelo arquiteto Lucio Costa, restaurado pela prefeitura do Rio em 2010 e adotado pela universidade que leva seu nome, o belo obelisco em formato piramidal, de onde se tem uma vista privilegiada da enseada de Botafogo e da baia de Guanabara, é a atual residência de um coletivo de artistas visuais e escritores, o “Caneta Lente e Pincel”, criado, há quatro anos, pelo escritor Renato Amado e pelo fotógrafo Guilherme Quaresma.
Deste modo, desde o sábado, dia 6 de abril, e até o dia 24 de maio, o carioca, o turista, os apreciadores das artes e amantes da Cidade Maravilhosa têm um motivo a mais para conhecer o Monumento Estácio de Sá: a exposição “Passeio”, assinada pelo coletivo, em cartaz no Centro de Visitantes do Monumento Estácio de Sá, no subsolo do lugar.
No total, são 33 obras criadas em duplas que reúnem sempre um escritor e um artista visual. O número de colaboradores é de 32, sendo 17 escritores, 14 artistas visuais e um músico. O resultado final de cada uma das duplas de criação é surpreendente. A exposição divide-se em duas partes: “Retrospectiva” e “Passeio”. A parte “Retrospectiva” traz obras de exposições passadas e, em suporte físico, obras do site do projeto. O processo criativo das obras originariamente postadas na internet funciona da seguinte maneira: uma vez o desenho é enviado ao escritor que se inspira e escreve seu texto; no turno seguinte é feito o contrário. Assim, é o escritor quem envia seu texto e o artista visual se inspira. Já nas obras “Passeio”, escritores e artistas, juntos, formularam uma obra única, em que a literatura e outra arte se fundem.
A exposição que está em cartaz no Monumento Estácio de Sá é uma experiência sensorial, da qual fazem parte palavras, cores, traços, pequenas instalações, além de imagens em vídeo. Elas estão justapostas em suportes e materiais, em harmonia, que oferecem uma amostra significativa do que de melhor se produziu nos últimos tempos pelo “Caneta, Lente e Pincel” nas diversificadas linguagens adotadas. Um trabalho digno de ser visto e acompanhado. A curadoria da exposição é assinada por Vivian Faingold, com produção executiva de Renato Amado e Danielle Schlossarek. Corra até o Aterro e vá conhecer dois belos cantos da cidade: O Monumento Estácio de Sá e o “Caneta, Lente e Pincel”. Este, de diversas e múltiplas vozes. A entrada é franca.


Artigo publicado na editoria de Opinião do Jornal O Dia em 11 de abril de 2013.


http://odia.ig.com.br/portal/opiniao/george-pati%C3%B1o-cantos-da-cidade-1.570751

domingo, 7 de abril de 2013

Filhos




Filhos



Os filhos irão crescer. A missão será cumprida. Ou mesmo comprida. Mas nada disso cansa. Canção. Uma canção simboliza a beleza, que se põe na mesa, nos quatro cantos do mundo. O ar condicionado condiciona um amor verdadeiro. Debaixo do chuveiro, eu viro marinheiro e canto. Canto em louvor aos rebentos que nasceram do ventre da mãe que é minha mulher. Me dá uma colher? Você, com a faca e o queijo na mão.

Os filhos irão crescer. Isso é fato. Não serão apenas um retrato, um arquivo, um vídeo estático. Na estante. Instantaneamente, invariavelmente, rapidamente, advérbio de modo, em movimento vão correr, a seu modo, moto contínuo, ato falho, raiz forte, quebrando o galho.

Os filhos irão crescer. E haverá um dia, apenas um, em que eles já terão crescido. E não será mais preciso dar a mão pra atravessar a rua. A travessia será outra. Intra-oceanos. E eles se despedirão com acenos, afagos, calores e afetos. Os filhos, só eles, sabem o quanto são queridos. Neste lado e no outro lado do mundo, ainda que mares e marés separem.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Na Praia de Falun




Este conto é livremente inspirado no texto “Reencontro Inesperado”, do poeta alemão Johann Peter Hebel, que viveu entre os anos de 1760 e 1826. É o recorte da história de um casal que vai passar o ano novo junto entre amigos e acaba se casando. Era pra ser apenas mais um show ao ar livre, na paradisíaca praia de Falun, uma comuna sueca localizada no condado de Dalama. A turma combinou um ponto de encontro e foi chegando aos poucos. Reuniram-se na casa de Gretha, que já esperava a todos ao lado de sua gatinha Alice Garbo. Gretha trabalhava no Ministério Público Sueco e morava no bairro de Gamla Stan, também conhecido como Cidade Velha. Após algumas vodcas absoluts, o grupo reunido partiu rumo àPraia de Falun para dar início às celebrações pelo ano novo.

No palco montado sobre as areias gélidas da Praia de Falun já se apresentava o grande cantor sueco Bjorn Borg. Dali a instantes chegaria a vez do grande cantor americano Steve Wonder se apresentar. Mais tarde um pouco cantariam juntos. Ambos são cantores negros, sendo Borg um pouco mais negro. Mas o que de fato importa nisso tudo é que o show foi o motivo pelo qual. Motivo pelo qual o casal ficou ali debaixo da árvore em frente a um famoso hotel de Falun. E motivo pelo qual andaram juntos, ao final do show dos cantores negros, pelas calçadas da comuna, ele a guiando carinhosamente.

No meio do caminho da larga via havia pedras. E havia muitas pessoas. Cerca de 400 mil segundo estimativas do batalhão local da Polícia Militar deFalun, além de muitos carros e muitos ônibus. E mesmo com todo aquele mar de gente na grande avenida daquela comuna nada ao redor era importante. Era como se o mundo tivesse parado. Só havia ela. Só havia ele. E quase sem querer foram deixando pra trás os amigos que os acompanhavam.

Quarteirão a quarteirão, a conversa seguia fluindo. Os temas eram dos mais variados, como a narrativa do prazer, da parte dela, de morar naCidade Nova e trabalhar na Cidade Velha deFalun. A certa altura, precisamente na esquina da avenida Hans Staden com a Rua Ingmar Bergman, às 23h33min de uma noite bastante fria do hemisfério norte, defronte do salão de cabeleireiro Petra Hultgren, motivado pelo sentimento do mundo que exalava naquele momento, ele virou-se pra ela e disparou:

- Quer se casar comigo?
- Sim!!!!!!! Disse ela, convicta.
- Aceita trocar o casamento por uma bicicleta Caloitesen? Testou ele a la Silvio Santos, famoso apresentador da TV Sueca.
- Não!!!!!!!, ela rebateu.

Era a senha. Ele teve a certeza da certeza dela e tirou as alianças do bolso. Os dois então correramna direção da paróquia da “Praça da Nossa Senhora dos Aflitos dos Países Nórdicos”, acordaram o padre e rezaram para que ele os casasse. A lua de mel, na sequência, foi passada em Folégandros, uma certa ilha grega paradisíaca, que ambos conheciam apenas de ouvir falar a partir de um conto apresentado por amigo comum. Antes da Grécia, porém, fizeram uma escala em Goiania, no Brasil, terra da prima da noiva, a famosa “DJ” Morgana, que recentemente conquistara o prêmio de “Melhor DJ do Ano Vip” em votação nas redes sociais.

Tempos depois, já de volta à Falun, nasciam os dois filhos do casal formado no show dos dois grandes cantores negros. O padrinho, Stevie Maravilha, muito famoso nos Estados Unidos, sequer os viu quando nasceram. Estava em seu país tocando em turnê. Mas muito satisfeito, enviou uma canção de presente às crianças: “You are the sunshine of my life”. No final das contas era pra ser apenas mais um show ao ar livre numa noite bastante fria de inverno no hemisfério norte. E foi.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Nova Mente






2013 ou 0123? Não importa. A ordem dos fatores não altera o produto. Reinício de caminhada. Nova mente, novamente!

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Réveillon







Sob nova direção, leme na mão, o mar agora está pra peixe.
Não se queixe: 2013 está aí, aproveite!
Somos todos juntos no mesmo barco,
Remando a favor do vento que inventamos.

Todos no mesmo tom, na expectativa.
Os convites já chegaram.
A melhor roupa vamos tirar do armário.
E vamos tirar do armário também os excessos, os medos.
A falta de coragem.

Seguir viagem!
A noite que chega do 31 é derradeira.
Disto ninguém se livra! O ano vira para todos e para todos é recomeço.
Não tem parada. Tudo está em pé!
Feliz 2013! O ano novo é o que é!

Encontro das Artes




Procuro a verdade
Que seja dito
popular.
A música que seja pra pular.
O verso que seja livre,
O livre arbítrio.
O leve delito.
A flambada cereja.
O bolo de chocolate.

Procuro a melhor parte
Do ser que seja:
Eu = Você.
O beijo teu que me esqueceu.
Procuro o cinema que seja
conceitual.
O teatro reflexivo.
O Amor explosivo.
O amor calmo.
Sem tudo isso eu não vivo.
Onde está a flecha, cadê o alvo?

Onde está minha canoa?
Com quantos paus se faz uma?
Vou pra Araruama, vou pra Araruama.
Ver se lá eu me arrumo.
Vou de canoa, vou sem rumo.

Procuro a pintura expressionista.
O melhor quadro.
A minha artista, a mulher que eu enquadro.
É você que trago, que respiro.
Você é meu encontro das artes.
Encontro comigo mesmo.
Consigo mesmo. Você eu consigo mesmo.

domingo, 30 de dezembro de 2012

A mulher amada





A mulher amada precisa gostar de vinho tinto seco e da pizza “paulistana” do Bráz. Precisa ter dentes brancos, lábios macios e a alma leve. Deve ficar à vontade ao falar de si mesma. E ter a certeza de que morar no Grajaú é a melhor coisa do mundo. Precisa gostar de Quintana, de quintal e de fruta no pé. Torcer pelo Fluminense e o ter paladar infantil é fundamental. Uma pequena dose de timidez a faz ficar extremamente charmosa.

A mulher amada é simples. E é sofisticada. Tem o sorriso mais lindo e a pele branquinha, suavemente avermelhada, queimada pelos cinquenta tons de cinza do sol da praia de Ipanema. Ela precisa saber que tem pressão alta. Mas que pretende que fique normal. Que quer voltar a fazer exercício e que seu joelho não vai lhe atrapalhar. Ah, precisa aprender a usar o telefone celular. Para emergências. Também precisa gostar de nadar em mar aberto e, de vez em quando, fazer alguma travessia. Com regularidade, muitas travessuras. Estar atenta às fases da lua e ao movimento das marés é de bom tom.

A mulher amada pode até ser uma melancólica otimista, mas nunca o contrário. Por que a melancólica otimista sempre tem uma ponta de esperança. Ela precisa não querer ser beijada na primeira noite, mas ter uma vontade grande de que isso aconteça nos encontros seguintes. Ah, a mulher amada! Dada a receita fica fácil. Ela é tão amada e tão doce que não precisa de nada. Só de ser amada. A mulher amada precisa ser ela, a guiar, como anjo, o coração daquele que ama. Ela é simplesmente adorável. Ou não?





terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Táxi para Folégandros




Era madrugada. O casal caminhava pela rua da Carioca, no centro do Rio. A via estava deserta. No meio do caminho havia pedras. E lixo, muito lixo. E ratos. Eram muitos e se aproveitavam da sujeira humana, de raspas e restos, armando ali mesmo seu banquete. Ao ver os ratos, a moça de vestido branco - branco como a pureza de sua alma - sentiu medo. Pelos ratos e por ela.
O que seria de sua vida num futuro próximo? Agarrou-se, então, ao braço de seu companheiro e ali encontrou conforto. Ficaram em silêncio por instantes e depois riram. Àquela altura da rua da Carioca, aquela hora da madrugada, naquele exato instante, não havia palavras para se descrever o sentimento do mundo. Foi então que ele fez uma pergunta a ela:
- O que você quer da vida?
- Perguntinha difícil - disse ela, respondendo sem responder.
E voltaram novamente para seus pensamentos e reflexões.

Em seguida, a moça de vestido branco, como que rompendo novamente o silêncio, conta então uma curiosidade:
- Sabe que existem pessoas na Terra que são anjos? Todos têm seus anjos da guarda, mas algumas pessoas nascidas em determinadas datas não os têm por que são elas os próprios anjos. Têm o dever de proteger as pessoas, são gênios da humanidade. Esse é meu caso! Como você sabe, o meu aniversário é em 12 agosto. E essa é uma das datas mágicas. Pode procurar na internet – arrematou.
Após 10 minutos, encerrada a pequena história dos anjinhos, acabava a caminhada pela rua da Carioca. O casal chegava à avenida Rio Branco. Ali, fazem sinal e embarcam num táxi. Como destino, bandeira dois, a ilha grega de Folégandros. A viagem seria um pouco longa. Mas lá, naquele paraíso mediterrâneo, estava escrito que teriam dois filhos. Presentes dos deuses gregos. A impressão é de que serão felizes para sempre. No rádio do carro tocava a música “Anjo”, daquele conjunto Roupa Nova: “Fique em silêncio, deixe o amor entrar”.


A música funciona como signo sinal. Ela, então, se lembra de um pensamento ouvido recentemente:

“O mundo pode agora surgir com sua bela singeleza. As flores têm agora o perfume original de sua castidade. A vida é um contínuo chegar de esperanças.”

Já era o dia 22 de dezembro de 2012. Já a Era de Aquários. E o mundo não tinha acabado.


P. S. EU TE AMO.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Para Febea





Espero que esteja bem por aí. Escrevo hoje essas pequenas linhas na forma de homenagem, dedicatória e oração à sua presença que tanto iluminou nosso Planeta Terra em sua breve passagem por aqui. O Sylvio me fala muito de você. Diz que tem saudades. Ele diz também que vocês foram muito felizes nos 19 anos de casados aqui embaixo. Ele tem verdadeira admiração por você. E isso é bonito de ver. As meninas estão ótimas. Ouço falar que no início foi difícil pra elas. Não seria diferente. Você foi uma mãe maravilhosa, presente. Você foi um presente. Você é! Tenho certeza de que está orgulhosa das belas e fortes mulheres em que se transformaram as suas pequenas. Você também deve estar orgulhosa por ser avó. Seus três netos são pessoas muito especiais: Ligia, Manuela e André. Três italianinhos. Oh, raça forte! Você lembra de quando teus últimos dois netos nasceram? Você se lembra da Dani, amiga-irmã das meninas? Pois não é que a Isabella, a Gabi e a Dani tiveram filhos em sequência, num espaço de 21 dias entre o nascimento de seus bebês? O Sylvio me disse que uma vez você comentou com ele que quando a Isa engravidasse, a Gabi também engravidaria logo em seguida. Ou vice-e-versa. E aconteceu. E Dani, então? Sabe que aquela viagem que você organizou pra ela ir à Itália com a Isabella deu frutos? Você nem imagina. Ela virou professora de italiano. Ou melhor, sei que você imagina. Sei que está vendo tudo aí de cima sim. A casa de Itaipava está lá do mesmo jeito que você deixou. A única diferença é que o Sylvio construiu um chalé, como você deve acompanhar. De resto, está tudo está aqui, igualzinho. Apenas se passaram alguns anos. Mais precisamente 26 anos. Foram longos, mas passaram. Ah, e sabe o livro do Salinger que o Sylvio te deu em 1966, em Milão, quando vocês eram namorados, com uma linda dedicatória? Encontramos ele. Faremos uma reunião para celebrar você em torno dele. Vai ter um monte de gente legal aqui que vai te conhecer um pouquinho. Benção, Febea. Fica com Deus! Ci vediamo!

Rio de Janeiro, 6 de novembro de 2012, Planeta Terra.

domingo, 28 de outubro de 2012

Arquitetura






Arquitetura






Conjugado num apartamento
amor deixa de ser vento.
Passa a ser casa.
Passa a ser chão.
Passa a ser asa.
Deixa de ser brasa. Passa a ser fogo.
Fogão, brasão, cama e mesa.
Deixa de ser escassez. Passa a ser riqueza.
Lucidez.
Deixa de ser sonho. Vira teto.
Deixa de ser ideia. Vira concreto.
Parede com parede.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

A Metáfora da Chegada





Há de raiar um novo dia. Mesmo que a esperança se transforme em poesia. Jesus Cristo já sabia. Muitos lhe virariam as costas. “Pedro, Pedro, ao cantar do galo tu me negarás três vezes”, assim ele dizia, assim confirmou-se. E aconteceu com José e Maria. Quando o Menino-Deus dentro da barriga da mãe ia, o casal procurava um hotel em Belém de Nazaré onde desse à luz Maria. Um pouco de conforto era justo com forasteiros cansados em busca de hospedaria, em busca de revelar o Messias. Há de raiar um novo dia. Jesus Cristo já sabia.

No entanto, os insensíveis donos de hotéis da cidade de Belém julgaram o casal, como sempre os humanos fazem. Donos de hotéis são humanos: preconceitos e arrogâncias trazem. E julgaram o casal de forasteiros pela aparência. Eles, os donos de hotéis, acharam que José e Maria não eram dignos de dormir em suas luxuosas camas, de se secar com suas caríssimas toalhas. Homem, homem! Todo homem tem falhas. A pouca fé é uma delas. Não espalha. Às vezes o fogo é só de palha. Mas voltando aos donos de hotéis, eles tiveram pouca fé. Com certeza. Duvidaram, sem certezas. Foram omissos.

Acreditar. Basta acreditar. O melhor acontece. Deixa estar. Deixa na sala de estar. Deixa na estrebaria. Jesus Cristo já dizia. Na manjedoura nasceria. Em condições precárias, mas nas condições que merecia. Há de raiar um novo dia. Jesus Cristo já sabia. Jesus Cristo perdoou os pobres donos de hotéis que não gostavam de poesia, que a seus pais negaram moradia. Ele disse: faça-se a luz e a luz se fez. Ontem, hoje e sempre, de uma só vez. A metáfora da chegada é a mesma da partida. Por que chegada sem partida é incompleta, é vazia. É ciclo que não se fecha. O melhor acontece pra cada um. Somos Um. Jesus Cristo já sabia.

Cinquenta Anos em Cinco





Diretor completa 50 anos de carreira preparado para mais 50



Cacá Diegues é um ilustre representante da boa safra do outono de 1940 das Alagoas, onde nasceu na capital do Estado, Maceió. Dono de uma fala pausada e gentil, Cacá é um dos maiores nomes do cinema nacional. Ao lado de cineastas como Glauber Rocha como um dos criadores do Cinema Novo, Cacá segue empunhando sua câmera e lançando seu olhar de cronista audiovisual sobre a realidade brasileira.

Em 2012 o cineasta completa 50 anos de carreira, desde que lançou seu primeiro longa “5 X Favela”, em 1962. O bom momento foi no celebrado no último dia 15 de outubro, quando ele foi homenageado pela 11ª edição do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, promovido pela Academia Brasileira de Cinema, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

“Me sinto muito novo para receber esta homenagem. Mas ao mesmo tempo é uma honra pois ela vem do reconhecimento dos meus pares, cineastas”, disse Cacá, ao final da cerimônia. “Vou filmar até meu último suspiro”, completa ele que assina ao lado da mulher, Renata de Almeida Magalhães, a produção do filme “5 X Pacificação”, documentário sobre as UPPs, lançado pela Luz Mágica, empresa do casal, previsto para entrar no circuito em novembro. Entre um filme e outro - Cacá também produziu “Giovanni Improtta”, dirigido e interpretado por José Wilker, baseado no personagem do novelista Agnaldo Silva – ele dirigiu o clip Kamasutra, que integrou o 27º álbum da carreira do Tremendão Eramos Carlos, recentemente lançado. “Foi uma experiência excitante e prazerosa" , confidencia Cacá.

E como 50 anos de carreira no caso do cineasta não é sinônimo de aposentadoria, no ano que vem ele roda o filme “ O Grande Circo Místico”, baseado no poema de Jorge de Lima, que virou peça de teatro e, em 2013, vai se transformar em filme, 30 anos após a montagem do espetáculo. A trilha sonora também será assinada por Chico Buarque e Edu Lobo e o papel principal, convite feito, convite aceito, será do ator Lázaro Ramos. Mais uma produção da Luz Mágica.

O sucesso por detrás das câmeras e a produção audiovisual contínua têm seu nome nos créditos nas telas de Cacá. Há 31 anos, ele é casado com a produtora Renata de Almeida Magalhães, filha do advogado e político brasileiro, Raphael de Almeida Magalhães, falecido no ano passado. Juntos, os dois tiveram a filha Flora Diegues, 25 anos, a única dos três filhos de Cacá que seguiu os passos do pai. Os outros são Isabel e Francisco Diegues, filhos da união com a cantora Nara Leão. Isabel dedica-se à sua editora Cobogó e Francisco tem uma empresa de tecnologia. A outra “filha” de Cacá é Julia São Paulo, do primeiro casamento de Renata, mas praticamente criada pelo diretor e produtor de cinema. Sobre a esposa, ele diz: “A Renata mudou a minha vida. Somos casados e sócios. Ela manda em mim em casa e na rua”, brinca. E para Nara Leão, de quem ele se separou 12 anos antes da morte da cantora, em 1989, Cacá só tem elogios. “Nara foi uma das grandes mulheres brasileiras de seu tempo".

E assim, rodeado pela família e cheio de projetos, Cacá Diegues vai comemorando 50 anos de carreira. “Me sinto oxigenado e pronto para mais 50 anos”, finaliza. E já que o número do momento de Cacá é o “cinco”, são cinquenta anos em cinco, como dizia o slogan da campanha do ex-presidente Juscelino Kubitschek.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Tio és también padre





Un tío tan cerca como se quiere.
y que se vá.
A lo lejos, en un instante, distintamente.
Hacia a debajo de tierras latinas, altiplanas, hermanas.
A juntarse a la pachamama.
Si, son tierras bolivianas.
Tío, tío, tío también és padre.
Tío con la misma sangre, de la misma raza.
Del mismo compás y dibujo.
Tío, te lo juro:
otras dimensiones te abrazam para seguir tu viaje.
Otras encarnaciones.
Lleva en tu equipaje
nuestra ultima cita el La Paz.
El último CD de jazz.
El último bolero.
Eso espero.
Tio querido, hasta siempre, hasta pronto.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

No Metrô






Desço as escadas rolantes.
O coração bate forte,
ofegante.
No outro lado da estação,
na linha do horizonte
ali defronte, ao norte.
A felicidade me sorri, diz adeus.
E foge.
Oh, meu São Jorge,oh, meu São Jorge.
É a morte, é a morte,
meu Deus!

No Cinema





Desvio o olhar.
Você não me beija.
A melhor parte do bolo é a cereja.
Mas essa eu não tenho.
Me contenho.
Você me olha sem graça.
Eu, sem ação.
Por que caminhos passa
o meu coração?

TIO TAMBÉM É PAI




Um tio tão próximo que se vai.

Distantemente, num instante, instantaneamente.

Pra debaixo de terras latinas, altiplanas, hermanas.

Terras bolivianas.

Tio, tio, tio também é pai!

Tio do mesmo sangue, da mesma raça.

Do mesmo compasso e desenho.

Tio, tio, tio que já não o tenho.

Outras dimensões te abraçam pra seguir sua viagem.

Outras encarnações.

Leva na bagagem

Nosso último encontro em La Paz.

Leva na bagagem o último jazz, o último bolero.

Até sempre, até mais!

Assim espero.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Amor Distraído






Sem resposta, fiquei sem resposta.
Como a mesa que é posta sem poder desfrutar.
Como o poder e o não poder concretizar.

Fiquei sem a resposta da menina.
Que me deixou na esquina,
sem dó, nem piedade.

É melhor não falar nada.
Do que dizer a verdade.
É a sua filosofia.
A indiferença é a pior das ironias.
E o que não passou já é página virada.

Sem resposta, fiquei resposta.
Não dá mais, perdi essa aposta.
De quem será que a moça gosta?
Coração já ocupado, coração já ocupado.

Sua resposta foi a indiferença.
Cheque que não compensa.
Amor descartado, devolvido.
Distraído, amor distraído.


Distraído, amor distraído, destratado, desvalido.

sábado, 13 de outubro de 2012

Eleonora Falcone: a singeleza da música popular brasileira e paraibana




Cantora se apresenta no Projeto “Levada Oi Futuro” hoje à noite em Ipanema




Coloque-se uma cantora com tipo mignon, de timbre doce e ótima extensão vocal num local intimista, palco bem iluminado, acompanhada por três músicos elegantes e competentes (Anderson Mariano – guitarra e violão, Adriano Ismael – baixo e Flávio Boy – bateria e pandeiro) e à frente um público ávido e saudoso após 11 anos de ausência da referida cantora das casas de shows cariocas. O resultado é um belo espetáculo de Eleonora Falcone, cantora e compositora paraibana, que participa até hoje, sábado, do projeto “Levada Oi Futuro”, na casa em Ipanema.
Falcone, que já morou no Rio, por razões que o coração desconhece andou anos afastada das terras cariocas. Imperdoável ausência que, com apoio do Oi Futuro, a Zucca Produções, mais Jorge Lz e Roberto Guim

arães, curadores da iniciativa, reparam agora por meio do projeto de trazer sons e artistas de diversas partes do Brasil para o coração de Ipanema, a preços populares ( R$ 20,00).
Ao longo da pouco mais de uma hora de show, Eleonora brinda o público com belas canções de “MPB da P”. Ou seja, uma música popular brasileira vinda autenticamente da Paraíba, com teor romântico e confessional. Quase como se fossem ( e são) pequenas crônicas poéticas, com uma pitada da “nordestinidade” evidentemente presente em sua atitude no palco e no orgulho que demonstra do “ser paraibana”.
Eleonora promove de modo sagaz o encontro de sua MPB da P com a MPB por meio de várias das canções do repertório de seu show. Entre elas “Duas Margens”, de Chico César e Lucio Lins, música que batiza o espetáculo. No show ela mistura músicas de seu álbum carioca “Apetite” com outras de seu CD paraibano “Eu tenho um pedaço de sol que guardo comigo desde menina”.
Pode-se afirmar que Eleonora é uma artista quase completa. Além de boa cantora, é boa compositora. Entre algumas das músicas d show, destacam-se “Carta de Amor” e “Pedaço de Sol” ambas com Lúcio Lins. O verso “Eu pulava muros e sonhava nuvens, eu saltava mundos e contava estrelas. Eu dizia tê-las na palma da minha mão”, da música “Pedaço de Sol”, é absolutamente lindo. A parte do fino trato com as palavras e da construção de belas imagens poéticas, a cantora tem presença e atitude cênicas no palco, resultado dos anos em que estudou teatro no Rio, e um olhar penetrante e forte que dirige ao público quando desce à plateia na busca de um contato mais próximo com seus interlocutores.
Não é à toa que nomes como os dos cantores Ney Matogrosso são fãs de Eleonora. O produtor Ronaldo Bastos, da Dubas, que edita suas músicas, estava emocionado em ver o reencontro de Falcone com os palcos cariocas: “Sou fã da Eleonora. É um privilégio poder vê-la novamente aqui no Rio de Janeiro”, disse Bastos ao final do show de sexta-feira. Eleonora Falcone é a singeleza da música popular brasileira da Paraíba em pessoa e “em cantora”. Show imperdível. Vá correndo que ainda dá tempo. É hoje à noite no Oi Futuro Ipanema.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Soneto das Crianças


Livremente inspirado e parodiado do Soneto de Fidelidade
(de Vinicius de Moraes)


De tudo à minha criança serei atento.
Sempre e com tal zelo
que vou me lembrar das viagens infantis para Arcozelo.
E das brincadeiras que inventei e que ainda invento.

Quero viver a criança em mim em cada vão momento.
E em seu louvor hei de espalhar meu canto.
E rir meu riso e nunca, jamais,derramar pranto.
Por que tristeza não se põem na mesa, se não me levanto.

E assim, quando mais tarde me procure a criança que um dia fui.
E eu, de puro sentimento, jure.
Que o passado deixei pra trás e é o amor que em mim flui.











For a Child







For a Child


Quem é você que eu não conheço mas que é uma criança?

Quem é você que é pequeno e nunca perde a esperança?

E que é grande e vai sempre na minha lembrança?

Quem é você que sempre entra na dança?
Pula corda, dá as cartas, joga o jogo.
Sempre com sorriso no rosto.

Quem é você que me aborda no sinal fechado?
Que me pede trocados e vai embora.

Tio, eu sou a criança que chora, a criança que vale.
A esta hora exactamente hay um niño en la calle, hay un niño en la calle.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Sobre Escadas, Memórias e Outros Planos





Meu nome é Theobaldo. E nas minhas memórias de infância e juventude tenho registrado que usei e abusei de escadas. Na infância, morávamos num apartamento térreo, em Copacabana, mas nosso prédio tinha uma longa (para mim à época) escada, que dava acesso da rua ao primeiro andar, onde ficavam os apartamentos térreos. Assim, eu não tinha outra alternativa que não subir pelas escadas (longas para mim à época) que davam acesso ao nosso apartamento. Eram outros tempos, e eu tinha fôlego pra isso.

Mais tarde, eu cresci, mas continuei usando as escadas para ter acesso a outras portas dimensionais. No caso, a porta do apartamento do meu pai, na Glória.. Ele morava numa cobertura. O elevador só ia até o 12º andar e nós precisávamos subir mais um lance (longo para mim à época) de escadas. O prédio era antigo. O elevador mais ainda. Não foram raras as vezes em que chegávamos e o elevador estava parado para manutenção. E como era cobertura, só tínhamos um elevador que nos servia. E aí não restava outra opção que não subir os treze andares de escada. Eram outros tempos. Eu tinha fôlego pra isso.

Mais tarde ainda, as escadas continuaram presentes na minha vida. Sempre que eu queria alcançar outras dimensões, eu me conectava com as escadas. Eu tive uma namorada que morava no Grajaú. O prédio dela eram dois apartamentos por andar. Uma noite, chegamos à casa dela bastante animados por assim dizer. Como tínhamos certeza de que os vizinhos do lado não estavam, começamos “os trabalhos”, se é que me entende, ali mesmo no hall, nas escadas de serviço do andar dela. Foi uma experiência incrível. Fui a outras dimensões, fomos às nuvens. Até então, eu era um pouco travado pra essas coisas, mas depois desse dia, eu me libertei. Libertei a literatura que estava em mim e o sexo também. Tinha toda uma energia sexual dentro de mim prestes a explodir. E explodiu. Eram outros tempos. Eu tinha fôlego pra isso!

Bem mais tarde ainda, eu me casei. Na vida de casados sempre moramos em andares baixos, tipo até o segundo piso. Assim, eu dava preferência para usar as escadas a fim de ter acesso aos apartamentos em que moramos nos diferentes períodos do nosso casamento. Os três filhos vieram e eu ensinei isso pra eles: “Usem sempre as escadas”, eu dizia. E ia junto com eles, acompanhando-os no subir e descer lépido e fagueiro infantil. Eram outros tempos e eu tinha bem mais fôlego pra isso.

Bem, bem mais tarde ainda, eu me separei. Mas continuei subindo e descendo escadas. Como os antigos incas, eu acredito que escadas são a única forma de atingir ao plano divino. Eu ainda não atingi este plano, mas estou no caminho – e pelas escadas. O tempo passou. Juntei o elemento “chave” às escadas. Afinal, elas podem de fato até nos levar a novos planos dimensionais, mas se você não tiver “a” chave, não vai adiantar nada. Vai chegar e ficar ao relento, do lado de fora e sabe-se lá em que dimensão. Estou em busca do ágape, o amor universal. E em outra dimensão. Vou pelas escadas. Afinal, são outros tempos. Tenho muito fôlego pra isso.

domingo, 7 de outubro de 2012

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

O Chato Simpático








Quem é esse chato, o assessor de imprensa? Há de ser uma pessoa que goste de acordar cedo, mas não tão cedo. Para assim tomar contato com a notícia, por meio dos jornais, antes de todos. Não precisa ser um fanático pela notícia. Mas é preciso que corra atrás dela, que a valorize. Estar antenado com tudo o que se passa à sua volta, na pequena e na grande esfera, é uma condição importante. Para ser um bom assessor de imprensa é preciso ler diariamente os principais jornais e saiba quem são as pessoas que estão do outro lado, na redação. É importante que tenha boa memória, que cumprimente o repórter e o editor pelo nome ( desejável).
Precisa também ser persistente. Mais do que o repórter. E saber conquistar sua confiança com boa conduta e boa índole. É necessário que saiba a hora certa de ligar para as redações. Nunca nas horas de fechamento. Precisa também ter noção do que é uma nota para não oferecer bobagens para o colunista e não queimar a si e a seu cliente. Precisa demonstrar boa educação, saber abordar e saber, sobretudo, ouvir um “não”. E quando houver espaço retrucar esse “não” e saber reverter o quadro.
Com o mercado profissional enxuto, às vezes com poucas opções nas redações, não é mais urgente que passe por uma grande redação. Com a difusão das assessorias de imprensa é cada vez maior o número de universitários que se formam e vão direto trabalhar numa assessoria, seja ela uma empresa especializada na área, ou mesmo uma grande empresa que dispõe de um departamento de imprensa.
Mas fique tranquilo se você não tem todas essas características. Tudo na vida é uma questão de treino.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Foi-se o inverno





Este inverno foi dose. Dose pra leão, pra mate leão e nem foi essa coca-cola toda. Dose foi também ter que matar mais de um leão por dia, pagar as contas com atraso e conviver com a carestia. Foi o inverno da foice, do vergalhão ou de qualquer instrumento pérfuro cortante, contundente que despenca rumo à cobertura de carne do trabalhador civilizado. Entre mortos e feridos, salvaram-se alguns. Pelo menos os três cidadãos que foram atingidos ou atingiram vergalhões enquanto labutavam, lutavam pelo ganha-pão ou soltavam pipa. Milagre. Pode-se assim dizer. Outros dirão que não foi chegada a hora. O fato é este inverno também foi o inverno dos acidentes dos BRTs na Transoeste. Seja lá o que significa BRT ( parece sigla de partido político sem o “p” de partido), parece que as pessoas têm andado apressadas demais . Demais da conta. E no final das contas, vão ter que acertá-las mesmo é com O cara lá de cima. A pressa é inimiga da perfeição. A pressa mata! Não mate leão, não mate! A pressa passou apressada e mandou lembranças. Passou a mais de 100 por hora e atropelou a esperança. Não deixe que sua pressa atrapalhe sua esperança e mate a si mesmo no meio do caminho. Pois se no meio do caminho tinha uma pedra, vamos removê-la, vamos largá-la. A via é larga, mas passa um de cada vez. Vamos juntos que atrás vem gente. Avante. Agora chega a primavera. Prima irmã do verão, que antecede. Vamos com prudência, sem pressa demais, sem muita sede ao pote, apenas esvaziá-lo e tornar a enchê-lo. Com paciência e zelo. Viva à primavera! Melhores dias agora, melhores dias no verão, melhores dias virão!

domingo, 16 de setembro de 2012

O beijo






O beijo nu.

O beijo nu espalha suas marcas pelo espelho.

O beijo nu espalha seus segredos pelo espelho da cômoda que não se incomoda.

O beijo vira moda.

Moda de viola.

O beijo viola os sentidos.

O beijo, crente que é gente, não me dá ouvidos.

domingo, 12 de agosto de 2012

Não Basta Ser Filho



Eles são filhos e trabalham com os pais


Parodiando o comercial, muitas vezes não basta ser filho. Tem que participar. Muitos filhos têm acompanhado os sonhos profissionais de seus pais, transformando-os em seus próprios sonhos. E em sua maneira de ganhar a vida.

Aos 30 anos, formado em comunicação social pela UniverCidade, René Wegner é um exemplo disso. Formado em 2005, ele mal deu as caras à profissão que escolheu antes do vestibular. Assim que se formou, largou o estágio em marketing num shopping do Rio. O movimento coincidiu com o fato de seus pais abrirem, naquele ano, a Hidrovida – Atividades Aquáticas, na Gávea, uma academia de natação para adultos e crianças, que tem ainda hidroterapia, hidropilates, atividades voltadas para gestantes, entre outras.

Desde então, já são sete anos que René administra a Hidrovida, ao lado seu pai, o engenheiro civil Ronaldo Wegner, e da mãe, a fisioterapeuta e professora de educação física Sandra Jabur Wegner, que é a coordenadora geral do centro de atividades aquáticas.

Para René, o principal desafio é separar a vida familiar da profissional, tanto na Hidrovida, quanto em casa. “Há 3 anos decretei que não teria mais jantar de negócios às 22h, no sofá da sala".

No ramo da cultura e das letras, a história mais ou menos se repete. O professor de literatura brasileira no ensino e da universidade de teoria literária, Carlos Afonso garante que não se afastou da sala da aula há quase 20 anos, quando fundou a Toca do Vinícius, primeiro numa galeria na rua Visconde de Pirajá, tendo migrado depois de um ano e meio para a rua Vinicius de Moraes.

“A Toca é um projeto pedagógico e educacional. Hoje, sou mais educador do que quando estava numa sala de aula”, destaca Carlos. Seus filhos, hoje na faixa dos 30 anos, já eram adolescentes quando Carlos Alberto e sua esposa Natalina abriram Toca. Aline, Leila e Carlos ( filho) que passaram agradáveis anos atrás do balcão da Toca, hoje de certa forma ainda trabalham com seu pai.

Leila, a primogênita, administra, ao lado de seu primo, a livraria Bossa Nova & Cia, no Beco das Garrafas, em Copacabana, que é um desdobramento da Toca. Cacá, o filho, é hoje professor de literatura em Berlim, na Alemanha, seguindo os passos de pai, e Aline, a filha do meio, formada em comunicação social, que também mora na Alemanha, trabalha como web designer e é responsável pelo site da Bossa Nova & Cia, entre outros materiais gráficos da Toca do Vinícius. “Trabalho hoje com minha filha pelo skype”, diz o pai gaiato.