Palavras à Milanesa
Não! Este blog não é de gastronomia. Mas de palavras. À Milanesa. Palavras simples como este prato de arroz com feijão, bife e batata frita.
sábado, 4 de agosto de 2012
Quem Tem Medo de Taumaturgo Marona?
- Alguém aqui conhece o senhor Taumaturgo Marona? Embora possa parecer embaraçosa, a pergunta faz-se necessária nesse interrogatório. Ele é um cidadão que representa perigo à sociedade, uma pessoa claramente má. Isso já é perceptível para todos nessa delegacia, que a partir de agora o considera um foragido da Justiça. A última vez que o elemento foi visto, ele caminhava pelo centro histórico da cidade de Paraty, na costa verde do Rio de Janeiro, em atitude suspeita, relatou o delegado.
Marona lá esteve para lançar, dentro de festejado evento literário, seu livro: “Autobiografia de um Iogue – O pegador da Travessa” ( editora Oito e Meio). O projeto de galã estava lá ainda para paquerar as meninas e – dizem as línguas mais ferinas - também alguns meninos do Clube da Leitura, festejado coletivo que se reúne quinzenalmente com objetivo de ler e escrever contos e falar da vida alheia.
Tal e qual um conhecido jornalista, que acaba de lançar um livro no qual narra histórias com amigas reais e ficcionais, Marona repete a fórmula transpondo-a para sua autobiografia, citando nominalmente alguns integrantes do Clube da Leitura, com quem, jura, já teve alguma coisa.
No livro, estão os personagens Danielle Aguiar, Juliana Costa, Ana Claudia Goldschmidt, Maira Ribas, Loana Calomeni, Daniel Fernandes, George Preger, Guilherme Patiño e Julio Matos, todos integrantes do clube dos que já tiveram alguma coisa com Taumaturgo Marona. Num trecho da obra, a personagem de Danielle Aguiar assegura que Taumaturgo Marona é uma pessoa popular. – Ele é mega popular, diz ela toda animadinha. A personagem de Ana Claudia Goldschmidt, por sua vez, diz que o conhece sim e que ambos já ficaram numa das festas do DJ Acaro. Como a personagem de Ana Claudia estava em busca de um namorado que fosse atleta, ela se encantou por Taumaturgo Marona, que além de iogue e vendedor de livros, pratica natação em mar aberto.
Em outro trecho do livro de Marona, a personagem de Juliana Costa narra que conhece sim o autor e que ele seria amigo de um ex-namorado seu. Segundo ela, “rola papo”. Mas não é isso que vocês podem estar pensando, pois o personagem de Juliana Costa é muito fiel e comprometido com seu namorado. Outro personagem, o personagem de Daniel Fernandes se apressa em dizer, no livro, que em breve a editora Oito e Meio vai lançar o próximo livro de Taumaturgo Marona: será um livro com todos os tipos de receitas com pamonha. Como se sabe, aliás, o personagem do Daniel Fernandes trabalha na editora Oito e Meio e repete isso como um mantra em todos os eventos dos quais participa.
Na parte do livro a ele dedicada, o personagem de Guilherme Patiño, como se insinuasse que existe algo no ar, maldosamente destaca que, apesar de vários integrantes do Clube afirmarem conhecer Taumaturgo Marona, “ele, o Marona, se lembrou mesmo foi do Ribas”. Algumas páginas à frente, o personagem de George Preger levanta a possibilidade de Taumaturgo Marona ser filho do detetive Mauro Marona, vulgo Mauro Fofoca. O personagem de George Preger chegou a essa conclusão simplesmente pelo fato de o sobrenome Marona não ser muito comum. Mas enfim, após a suposição levantada pelo personagem do Preger, na sequência os personagens de Julio Matos e da Maira Ribas lavam as mãos e afirmam veementemente que não conhecem Taumaturgo Marona. E nem mesmo o pai dele. Por fim, a personagem de Loana Calomeni faz a linha curta, grossa e seca: “Declaro que não conheço Taumaturgo Marona.” E aí chegamos ao final do livro.
Corta para o serviço de escuta da delegacia:
“Atenção Atenção, uma viatura desta DP acaba de passar um rádio informando que o foragido Leonardo Marona foi detido em Paraty, mesmo lugar onde fora visto recentemente. Ao ser preso, o escritor, vendedor, iogue e atleta declarou que estava na cidade apenas para, por sugestão de seu editor Daniel Fernandes, pedir autorização ao jornalista Garton Ash para usar uma frase de seu livro “The File”, “Se pelo menos eu tivesse encontrado em toda essa busca uma única pessoa claramente má”, como epígrafe de seu próximo lançamento”. Definitivamente, Marona não é má pessoa. Quem tem medo de Taumaturgo Marona?
segunda-feira, 30 de julho de 2012
Rodrigo Otávio
Um prédio antigo, de quatro andares, sobre pilotis e vagas para os carros numa garagem meio improvisada. Ficava na avenida Rodrigo Otávio, bem ali na Gávea, no Rio de Janeiro. De frente pra praça com grandes e frondosas árvores que nos recebiam generosamente todos os dias. Tinha sol da manhã e vista para o Cristo.
Apartamento pequeno, dois quartos. Mas as crianças sabiam usar cada espaçinho daquele imóvel. Tinha até o pedaço de um cômodo adaptado, que se transformou para a Fernandinha e o Fernandinho no que, carinhosamente, eles chamavam de “varandinha”. Uma espécie de play interno com dois metros por dois se minha porção arquiteto não me engana. Ali cabia de tudo e todos os sonhos deles estavam lá depositados.
Nunca vou me esquecer daquele apartamento. Foram 6 anos. Uma vida. Uma vida como a do Nandinho, de 6 anos. Foi ali, na Rodrigo Otávio, que o Nando deu seus primeiros passos. Tirou a fralda, deixou de fazer xixi na cama, mudou de escola duas vezes e se transformou num rapazinho. A Nandinha, quando lá chegou, era uma esperta mocinha de 4 anos. No curso dos acontecimentos, ela se transformou numa “moça” esplendorosa, desabrochando para a vida, com 10 anos, completando sua primeira década vencida, de muitas outras se Deus quiser.
Quantas e quantas vezes Fernandinha e Fernandinho saíram pra brincar na pracinha de frente do prédio com as crianças da vizinhança. Nós literalmente ocupamos a praça. Fizemos faxina na praça, varremos a praça, cuidamos da praça. As crianças vão levar isso com elas. Quando crescerem, elas poderão se orgulhar de terem ocupado uma praça. Nem todos têm o privilégio de terem uma praça em frente ao prédio em que moram. Elas tiveram. E como é bom.
Os anos passam rápido. Eu ainda me espanto. No entanto, o passar dos anos nos brinda com o prazer e a possibilidade de ver os filhos crescerem. De ver, também, em nós mesmos as transformações que a vida nos impõe e as transformações que impomos à vida. Afinal de contas, estamos num jogo. Ora a vida cede, ora cedemos à vida. E o mais importante é que nesse jogo não há perdedor. Sigamos, assim, em busca de transformações. Sigamos em busca de uma praça para nossos filhos e nossas crianças brincarem e crescerem. Obrigado Rodrigo Otávio!
*Em tempo: Pouca gente conhece a avenida Rodrigo Otávio, embora muitas pessoas passem por ela diariamente e não saibam seu nome. É aquela avenida que tem suas duas pistas divididas por uma praça e pela qual todos que vêm do Jardim Botânico em direção à Barra, no Rio de Janeiro, precisam passar.
domingo, 15 de julho de 2012
Tema para um Lindo Dia
Clarear, esclarecer.
Aprender pela cartilha da vida!
E pela paz!
Desobstruir, encorajar, agir!
Clarabóia: entrada de sol, estrada de luz.
Deixar o sorriso passar, estampar felicidade no rosto!
Botar roupa nova todo o dia, estar de bem com a vida.
No doce balanço da harmonia.
Vestir branco, ver à cores,
Tornar os dias mais bonitos, querer bem!
Sorrir para todas as manhãs, mesmo as escuras!
Dar à luz uma menina Clara, alva e sapeca.
Saber ser igual, falar a mesma língua, brincar de boneca.
Gostar de criança como de natureza e de natureza como de criança.
Nunca se cansar de ter esperança.
Nem às segundas-feiras chuvosas!
Realizar, entrar na dança, estar no ritmo.
No mesmo baticum do coração que ama!
Ir ao cinema e ter vontade de voltar, ou de você crescer logo pra ir também. Urgente, urgente, eu te amo bebê!
Ver beleza à beça, transbordar, transcender.
Estar cheio de coragem pros dias que virão!
Trabalhar e ver crescer, semear! Pensar no próximo verão!
Deus te abençoe, Clara, tesouro, puro ouro, no teu batismo sagrado.Neste 8 de dezembro, quase Natal, quase nova estação.
Que o calor do mundo novo te aqueça sempre e te carregue pela mão!
08.12.2002
sábado, 14 de julho de 2012
Próxima Escala: "América do Sul, uma viagem para brasileiros"
O livro “América do Sul, uma viagem para brasileiros”, ( DBA) da jornalista Márcia Carmo, que há 15 anos atua como correspondente cobrindo a América Latina partir de sua base, em Buenos Aires, é, literalmente um passeio, sem fronteiras e sem a necessidade de passaportes, pelos países hermanos.
Das 13 repúblicas que fazem parte da América do Sul, excluídos aí Equador, Suriname e as Guianas Inglesa e Francesa, Márcia compila histórias, curiosidades, hábitos, gastronomia, cultura local e gírias específicas de oito das nações que dividem o continente com a nossa Terra Brasillis - que não está no guia: Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela. Todas as histórias narradas tiveram a participação da jornalista em suas viagens a trabalho, nas quais representou veículos como Jornal do Brasil e BBC, entre outros. Um belo serviço prestado ao leitor, que merece incluir os países ausentes numa próxima edição.
Com humor, poder de síntese e com conhecimento de causa, já que a autora conhece bastante de cada um dos países retratados, Márcia nos conduz página por página por muitos dos 17.819.100 km² da América do Sul. Nos guia a pontos turísticos, belos e remotos, como as ruínas de Tiwanaku, nas proximidades de La Paz, na Bolívia, que, segundo arqueólogos teve seu auge entre 300 e 1000 d.c. Entre outras paisagens únicas do país de Evo Morales, destaca-se ainda o Salar Uyuni, a 3.600 metros acima do nível do mar, entre os departamentos de Potosí e Oruro. É lá que fica o Hotel de Sal Playa Blanca, que é todo de sal – desde as paredes até a cama.
Em outra das passagens do livro, a autora relata, por exemplo, qual teria sido a origem do nome que batizou o país de Hugo Chaves. “Historiadores contam que o nome Venezuela vem de Veneza, na Itália. Ideia do explorador Américo Vespúcio, o qual chegou à Venezuela em 1499, e, ao ver casas de palafita, achou que ali estava uma pequena Veneza”, destaca Márcia no capítulo que aborda a Venezuela. No país, aliás, sempre está tudo “chevere” ( ótimo, legal).
Distante algumas horas de voo ou a poucas páginas do livro está o Chile. O país nos remete ao prêmio Nobel de Literatura, Pablo Neruda, mas também remete nossos sentidos aos...vinhos! A vinícola Concha y Toro, a principal do Chile, é também a oitava do mundo em produção. O vinho-símbolo também batiza um bairro da capital Santiago. É lá que fica, num casarão de 1912, o restaurante Zully, de cardápio espanhol, uma das saborosas dicas da jornalista. Ah, e quando você for ao Chile não se esqueça que lá tudo é “al tiro”, ou seja, rápido.
Colocando os pés na Colômbia, com as FARC ( Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) perdendo forças e cada vez mais fracas, é hora de bailar. A capital Bogotá foi fundada em 1538 pelo conquistador espanhol Gonzalo Jiménez de Quesada. Um dos lugares da moda, para ver e ser visto, é o Parque 93, praça ajardinada e rodeada de bares, cafés, restaurantes, danceterias e alguns dos principais hotéis da cidade. Mas cuidado ao se locomover em direção ao point. Ao usar o transporte público, não se espante em andar de “buseta”, uma espécie de van. Apenas relaxe, goze a viagem, pague a passagem e curta.
Enfim, as curiosidades e dicas de cada um dos países da América do Sul visitados no livro são muitas. Se você está curioso, está na hora de comprar o guia. Ao final de cada capítulo, Márcia Carmo brinda o leitor com receitas típicas e seu modo de fazer. Apresenta, ainda, sugestões de hotéis, lugares para fazer compras, telefones úteis, entre outras informações relevantes. Material para ler, deixar na estante, e servir como fonte de consulta para a próxima e as próximas viagens.
Por último e não menos importante, se você acha que o espanhol falado na América do Sul é todo ele igual, está na hora de rever os seus conceitos. Vide as gírias como “chevere”, “al tiro” e palavras como “buseta” , próprias da identidade de cada país. Livro para ser lido, e degustado, ( 151 páginas) com folga, num final de semana. Preço sugerido a R$ 38,00 nas melhores casas do ramo.
terça-feira, 5 de junho de 2012
“Mundo Sustentável 2”: almanaque ambiental para atuais e futuras gerações
No dia em que fui adquirir “Mundo Sustentável 2” ( editora Globo), mais recente livro do jornalista André Trigueiro, o vendedor me perguntou se tratava-se de um título didático. Disse que não e ele me encaminhou à prateleira correta. “Mundo Sustentável 2”, o quarto livro do jornalista - conhecido por sua militância em prol do meio ambiente e da sustentabilidade nos mais variados meios de comunicação ( TV, rádio, internet, mídia impressa) e no ensino universitário (é criador e professor do curso de jornalismo ambiental da PUC-Rio) - não é um livro didático, mas bem que poderia ser, já que aborda, de maneira clara e acessível, temas estudados em escolas, universidades e que são, também, de interesse geral.
Os leitores que navegarem pelas quatrocentas páginas do livro de Trigueiro terão à disposição transcrições de matérias de seu programa “Cidades e Soluções”, veiculado pela Globo News, e de entrevistas e comentários do jornalista em seu programa Mundo Sustentável, no ar pela Rádio CBN, além de textos e artigos seus para sites, revistas e jornais de todo o Brasil. Outros notáveis especialistas em diferentes áreas, entre as quais a jornalista Miriam Leitão, colunista de O Globo, e Samyra Crespo, secretária de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental do ministério do Meio Ambiente, também participam da coletânea.
O livro é dividido por oito eixos temáticos: “consumo consciente”, “raspas e restos me interessam”, “onde e como vivemos”, “água doce e água limpa”, “biodiverso por natureza”, “novas energias”, “questões globais” e “quando o mundo sustentável é notícia”. “Mundo Sustentável 2” é um grande almanaque, que pode ser lido de acordo com o gosto do freguês. Um almanaque repleto de curiosidades, cases e boas práticas.
Entre os cases relatados, destaca-se a invenção do aposentado José Alcino Alano, de Santa Catarina, descrita no programa Mundo Sustentável. Para aquecer a água do banho de sua própria casa, em lugar do chuveiro elétrico, Alano construiu um coletor solar usando materiais reciclados. O custo do projeto? R$ 83,00. E o aposentado ainda registrou sua criação no INPI ( Instituto Nacional de Propriedade Industrial) para garantir a finalidade social de seu invento, impossibilitando a extração futura de dividendos por terceiros.
Como uma das curiosidades, a bióloga Patrícia Mousinho nos conta, por exemplo, em seu artigo “E Continuamos varrendo a solução para debaixo do tapete...”, no capítulo “Raspas e restos me interessam”, que no ano de 500 d.c. foi inaugurado em Atenas o primeiro depósito municipal de lixo do Ocidente e ainda que já no século XIV, Inglaterra e França enfrentavam o descarte de resíduos como uma questão de saúde pública e de segurança. Como dado bem mais contemporâneo, André Trigueiro nos traz no livro, a partir de uma das edições de seu programa Mundo Sustentável, que apenas no Brasil são gerados 12 bilhões de sacolas plásticas por ano, o que resulta numa média de 66 embalagens por mês para cada brasileiro. Durma-se com um barulho desses.
Por último, mas não menos importante, vale destacar que, por iniciativa do autor, que lançou também os livros “Meio Ambiente no Século XXI” ( Sextante), “Mundo Sustentável” ( Editora Globo) e “Espiritismo e Ecologia” ( editora FEB), a totalidade dos direitos autorais de “Mundo Sustentável 2” é destinada ao CVV ( Centro de Valorização da Vida), associação que atua voluntariamente na prevenção do suicídio.
As ferramentas estão todas aí. No livro, impresso em papel reciclado, há diversas delas, prontas para serem utilizadas, compartilhadas, disseminadas. Não só no ano em que o Brasil vai sediar a Rio+20, a partir da próxima semana, mas em todos os outros também, é uma leitura indispensável para aqueles que se preocupam com o presente e com o futuro da nossa casa planetária. Vá logo à livraria e compre já o seu.
Algumas curiosidades sustentáveis que estão no livro “Mundo Sustentável 2”:
• No mesmo planeta em que 1 bilhão de pessoas vão dormir todas as noites com fome, um terço dos alimentos ainda é desperdiçado.
• Os Estados Unidos são hoje o segundo maior emissor de gases estufa do mundo, só perdem para a China.
• Estima-se que seria necessário reduzir em 60% as emissões atuais de gases de efeito estufa para conter o aquecimento global.
• A Comissão Brundtland conseguiu difundir mundialmente a expressão “desenvolvimento sustentável” no relatório “Nosso futuro comum”, que serviu de base para a Rio-92.
• Hoje, de todas as fontes de energia do mundo, a que mais cresce é a do vento: mais de 20% ao ano.
• Coletores solares já garantem o banho quente de pelo menos 2 milhões de brasileiros. São 500 mil residências que aproveitam o sol como energia para esquentar a água.
• Foi o inglês Alexander Parkes quem inventou o primeiro saco plástico, em 1882.
• O Brasil é a maior potência florestal do planeta e um dos países considerados megadiversos, com alta diversidade biológica.
• O CO2 produzido nas queimadas é a principal contribuição dos países em desenvolvimento para o aumento do aquecimento global.
• No Brasil, o setor de transporte consome mais da metade do que o país utiliza de petróleo e o óleo diesel é o principal energético do setor.
• Apenas 50,6% de esgoto doméstico urbano é coletado e somente 34,6% do volume coletado é tratado, segundo dados de 2008 do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento.
quinta-feira, 31 de maio de 2012
Voz e Palavra de Leny
Na plateia do show do gaitista Mauricio Einhorn, que se apresentava em comemoração por seus 80 anos no Teatro Vannucci, no Shopping da Gávea, terça-feira, a diva Leny Andrade não se fez de rogada.
Da sua poltrona, a cantora gritou em direção ao palco: - Mauricio, deixa eu cantar essa. A música era "Da Cor do Pecado", de Bororó.
Em seguida, fez uma declaração de amor ao violonista Chiquito Braga, convidado especial da noite, e emendou: "Eu pretendo gravar um disco com você", prometeu Leny.
Gaita em Sol Maior
A gaita é um instrumento supremo.
É um instrumento pequeno.
E sendo pequeno é maior do que o sol maior.
A gaita é, simplesmente, o instrumento de Mauricio Einhorn.
sábado, 5 de maio de 2012
Anúncio
Abril fechou: corações a mil.
Maio começa cheio de boas promessas e dias coloridos à beça.
A chuva forte dispersa; que venha a chuva branda,
a alma leve e o coração aquecido.
Que venha o anúncio da precisa brisa.
Da certeira certeza que a vida é bela, é beleza!
Nada é por acaso
No Leblon, atravesso - ou tento pelo menos atravessar - um cruzamento onde a prioridade deveria ser do pedestre.
O carro avança, o motorista não dá passagem. Olho à minha frente e leio a placa do veículo:
EEU 1111!
Criança não se aperta
Às vezes, o orgulho de um pai vai por água abaixo. Vejo a cena: o pai, todo bobo, mostra ao filho, que aparenta uns 3 anos - e está começando a identificar as letras - um painel na rua com letras garrafais.
"Letra P de que, meu filho?" - "De papai", diz o guri. E agora, letra B de que, meu filho? - "De babai", finaliza o pequeno gênio. Pano rápido!
domingo, 29 de abril de 2012
Ofício da Arte
Era um garoto e amava os Beatles mas não os Rolling Stones. Gostava de música, vivia música. Gostava também de escrever. Vivia de escrever. Escrevia para viver, mas queria viver para escrever. Tinha um lirismo na alma, mas também muitas pedras no peito. Subiu morros, desceu aos infernos, cobriu acidentes, cometeu incidentes com a gramática, comeu grama, cobriu tiroteios, festas, favelas, a miséria humana. Escrevia releases como ninguém. Releases, veja bem!
Queria ser cineasta, encontrara no ofício de repórter um atalho – talvez um caminho mais longo – para chegar à profissão objeto de seu desejo. “Se o Luiz Carlos Barreto pôde, eu também poderia”, pensou ele. Barretão fora jornalista, repórter fotográfico de O Cruzeiro. “O Cruzeiro..... que revista! Ah se eu tivesse trabalhado lá”, pensou num instante de fraqueza. Hoje, as bancas ( o mercado de trabalho) está repleto de “Tititis” e que tais. “É dura a vida de bailarina”.
A vida profissional de repórter de rua o tinha envolvido numa crosta dura e hermética. Acostumara-se com a morte, sem novidades. Era o que via diariamente. Talvez este cotidiano, totalmente diferente todos os dias, mas sempre repleto de novos títulos, lides, manchetes, o tivesse deixado com uma escrita padrão. Uma fórmula pronta. Todos os acidentes na Dutra tinham a mesma estrutura. Era só mudar o número. Entre mortos e feridos salvaram-se tantos.....
Ah, mais o que ele queria mesmo era trabalhar com cinema. Com a imagem. Tanto quis que, a certa altura, o destino conspirara a seu favor. Repórter de cinema do caderno de cultura, foi contratado para a função de editor do suplemento. Era a chance que tinha para se aproximar mais do universo que tanto gostava. Quem sabe, esquentaria por uns tempos o lugar, teria visibilidade e seria convidado por um grande produtor cinematográfico para exercer funções mais ligadas diretamente ao ofício da arte de escrever. Escrever pra cinema. Mal
começava como editor de cinema, já estava a imaginar-se como grande roteirista, cineasta, coisa que o valha. Queria dar às palavras o significado metafórico que todas elas têm. “O verdadeiro significado”. O significado ampliado pela grande tela que contém seus sonhos. “Era o fim”, pensou. "Ou o início". Adeus à hard news, ao jornalismo de conveniência, de conivência. Aos jabás.
Eram 17h. Mal acabava de fechar seu primeiro jornal, cuja capa do Caderno de Cultura trazia seu nome no expediente como editor,quando recebeu uma determinação de comparecer à sala do diretor de redação. “Precisamos de você para cobrir os novos acontecimentos do escândalo do painel eletrônico. Embarca amanhã para Brasília”. Às 21h seu corpo estava estirado no pátio interno do edifício da sogra. No dia seguinte era manchete dos jornais.
quinta-feira, 19 de abril de 2012
Algumas observações sobre os índios no dia deles
O índio é, antes de tudo, um forte! ( com paródia a Guimarães Rosa)
A carta do Cacique Seattle, de 1855, ao presidente americano é digna de ser lida. Está na internet e ainda é atual. Uma declaração de amor ao meio ambiente!
O filme "Xingu" é imperdível!
O livro "Uma Jornada do Tempo", do terapeuta corporal Luiz Filipe Tsiipré, editora Nova Era, da Record, relata a convivência do autor com vários tribos indígenas no Brasil e no mundo, como os Sioux, nos Estados Unidos. Leitura deliciosa!
Todo o dia é Dia de Índio!
domingo, 15 de abril de 2012
Chuvas de Abril
Vamos fazer um acordo:
Se vierem, que seja com parcimônia.
Pra limpar e benzer.
Pra tirar o olho gordo, pra satisfazer!
Não usem de violência, caiam com paciência.
Pensem nos amigos que moram nas encostas.
Naqueles que não têm respostas
Para a ausência do emprego, do salário, do sustento, da escritura de um apartamento.
Chuvas de abril, fechem o mês com a brisa.
Sem vento, sem evento trágico.
Com a mão de Deus, o mágico dos mágicos!
sábado, 14 de abril de 2012
quinta-feira, 12 de abril de 2012
quinta-feira, 5 de abril de 2012
Xingu: uma bela viagem cinematográfica ao centro-oeste brasileiro e ao pulmão do mundo
Aperte os cintos da poltrona, respire fundo e se prepare para uma expedição cinematográfica ao centro-oeste brasileiro e ao pulmão do Brasil ou mesmo ao pulmão do mundo. “Xingu”, o novo filme do diretor Cao Hamburguer, com produção da O2 Filmes, estreia agora nos cinemas e vai nos levar a uma viagem mágica pelo interior da Amazônia e do centro-oeste dos anos 40, 50 e 60.
Com fotografia deslumbrante e atuações excelentes dos três atores que interpretam os Villas Bôas - Felipe Camargo é Orlando, João Miguel é Claudio e Caio Blat é Leonardo - a história traz um importante recorte de quase vinte anos, desde 1943, quando iniciou-se a expedição Roncador, da qual eles fizeram parte, primeiro como integrantes depois como líderes, até a criação da Parque Indígena do Xingu, em 1961, num decreto do então presidente Jânio Quadros.
Longe de endeusar os irmãos Villas Bôas, correta e acertadamente, o roteiro, assinado por Cao Hamburger, Elena Soarez e Ana Muylaert, nos leva a desvendar um pouco das personalidades humanas e por vezes controversas dos três irmãos, seus medos, inseguranças, coragem e idealismo.
Orlando, o mais político, que transitava entre os índios e os ministros, era o articulador, nas palavras do próprio Felipe Camargo. Claudio, vivido por João Miguel, o mais idealista. Leonardo, na pele de Caio Blat, o mais jovem do irmãos Villas Bôas, talvez tenha sido aquele que mais conflitos apresentou entre o ser urbano e o ser indigienista . Não à toa, foi desligado da expedição por ter engravidado uma índia, fato que não teria sido bem visto na época, uma vez que os irmãos Villas Bôas tinham, também, um papel de mediadores entre os homens brancos e os índios.
No ano que em o Brasil vai sediar a Rio+20, o filme pode ser visto como um documento histórico e uma ode à sustentabilidade. O termo desenvolvimento sustentável foi cunhado pela primeira vez no relatório da ONU, “Nosso Futuro Comum”, de 1987, mas desde anos 40, os irmãos Villas Bôas já demonstraram ter preocupação com a sustentabilidade, pensando no homem com um todo – seja ele branco ou índio – e pensando na sua integração com a natureza, sem esquecer do progresso e do desenvolvimento. Pois foi a custa de muitas enxadadas que eles construíram, com a ajuda dos índios, campos de pouso e bases militares na Amazônia. Construções estas que serviram como moeda de troca para a criação do Parque do Xingu, que tem área equivalente ao tamanho da Bélgica, e que completou meio século de existência no ano passado.
“Xingu” é tão bom que, ao acabar, os 102 minutos de filme passam a sensação de que a obra se encerra de repente, de supetão. Mas talvez tenha sido apenas uma impressão, coisa que me mereça uma segunda, terceira ou quarta ida ao cinema para desfazer o conceito. A viagem ao Xingu me fez relembrar minha visita à São Gabriel da Cachoeira, extremo do Brasil, no Amazonas, conhecido como a “Cabeça do Cachorro”, onde tive o privilégio de conhecer tribos como os Tukanos e Baniwas, entre outras, e minha incursão pelo interior da Bahia, onde, outro privilégio, conheci os Pataxós Hã Hã Hãe. Depois de ver o filme, bate a sensação de que o Brasil não conhece o Brasil. Mas precisa conhecer. Taí uma boa oportunidade. O filme é da categoria dos imperdíveis. Vá logo e garanta já o seu ingresso!
quarta-feira, 4 de abril de 2012
Carta-poema-crônica para um velho pai
“Estive em vários lugares e só me encontrei dentro de mim mesmo”, John Lennon.
Roberto vivia sem seu pai desde seus quinze anos, quando amargurado com sua vida, o cinquentão fechou sua loja de material de construção no centro do Rio e foi tentar a vida nos Estados Unidos a fim de fazer a América como se dizia. A experiência não deu lá muito certo e o pai de Roberto ficou a ver navios. Atacado por um orgulho ferido e por qualquer eventual medo de rejeição da família que deixou pra trás ou sabe-se lá por quê - especula-se - nunca mais voltou, tendo morrido nas terras do Tio Sam, já como cidadão americano, como sonhava, ou melhor, como sonharam por ele.
Poucos meses antes da morte do pai, porém, Roberto, já quarentão e com dois filhos pequenos com aquelas idades nas quais as crianças precisam de um avô, trocou a última das cartas com aquele que a certidão de nascimento dizia ser seu pai. Nela, ao invés de escolher uma narrativa em prosa, pôs-se a escrever um poema. Era a missiva de despedida, mas ambos não sabiam.
“Querido pai, depois de sentir tanto a sua falta e por tantos anos, decidi transformar minha melancolia em poema. Espero que o mesmo encontre-o com saúde.
Poema a um velho pai
Procura-se um pai na estrada da vida: que nos leva, todos, algum dia, à morte.
Um pai, procura-se: acha-se, com sorte!
Pelos quatro cantos do mundo, nas telas de um impessoal computador.
Com a dor imensa de um parto que partiu, que pariu novos horizontes no coração que um dia viu o amor nos tempos de cólera.
Procura-se um pai entre as quatro paredes do quarto. Quando durmo, quando sonho e quando deixo meus filhos a sonhar com aquele retrato na estante. Naquele instante e só!
E meu pai segue congelado, consagrado pelas bandas que o largam internet a dentro e nos “tecnologizam”. E nos acostumam a navegar, porque é preciso.
Procura-se o avô do computador, que é sem nunca ter sido.
Virtual, como é sabido, de contatos esporádicos e afetos imprecisos.
Vida, Vida, Vida! Caminha com teus passos largos. Não deixa que o arrependimento, a dor e a saudade virem apenas vontade, virem apenas lamento!
Ao acabar de dar à luz aquele pequeno poema, Roberto colocou um ponto final no texto. Foi a última carta trocada entre eles.
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Fatima Guedes
Ouvir Fatima Guedes é benção pra alma.
É intuição pura, no estado da arte, é calma, é melodia.
Muita intensa, doce presença, toda a poesia.
Noite, dia, todas as estações e fusos.
O sol brilha, a lua é sua!
Faz escuro, mas ela canta, sempre!
Violão, voz de veludo: é tudo!
E eu ali, mudo, quieto, repleto, completo por ouvi-la.
Sentir Fatima Guedes no palco é um alento, um dilúvio de intensidade plena.
É vento, é evento, é cantar o amor sem cantar o lamento.
É brisa serena!
Ouvir sua voz é transgredir o tempo!
domingo, 1 de abril de 2012
Certeza
O por do sol nos traz o anúncio do nascer de um novo dia no dia seguinte.
Mas como tirar do por do sol o nascer de uma nova melodia?
É o seguinte: viver dia a dia!
quarta-feira, 28 de março de 2012
Verde Verdade
Ver de verdade o meio ambiente por inteiro. Sem lupa, lente de aumento, sem miopia, sem temperos.
Por dentro, corre o sangue nas veias. Por fora, correm os carros nas vias. Nas plantas, corre a seiva que a luz do sol salva. E assim será eternamente.
Nas selvas, livremente correm os animais. Nas matas, livremente matam os animais. Animais, homens lavam as mãos. Acariciam e espetam, acariciam e espetam. Tal e qual como num balé em círculo vicioso.
A vida na mata. A mata dentro da gente. A vida dentro da gente. Quem a mata ama não mata a vida nascente das águas, dos rios, das florestas. Afinal, o meio ambiente somos nós. O ambiente inteiro somos nós. E nós, o que somos?
Por dentro, corre o sangue nas veias. Por fora, correm os carros nas vias. Nas plantas, corre a seiva que a luz do sol salva. E assim será eternamente.
Nas selvas, livremente correm os animais. Nas matas, livremente matam os animais. Animais, homens lavam as mãos. Acariciam e espetam, acariciam e espetam. Tal e qual como num balé em círculo vicioso.
A vida na mata. A mata dentro da gente. A vida dentro da gente. Quem a mata ama não mata a vida nascente das águas, dos rios, das florestas. Afinal, o meio ambiente somos nós. O ambiente inteiro somos nós. E nós, o que somos?
segunda-feira, 26 de março de 2012
Terra
Tem um monte feito de terra em cima da terra.
Embaixo da terra tem um monte de terra.
Embaixo do monte de terra embaixo da terra tem terra.
Tem terra em tudo o que quanto é lugar!
Embaixo da terra tem um monte de terra.
Embaixo do monte de terra embaixo da terra tem terra.
Tem terra em tudo o que quanto é lugar!
Sobre pedras, caminhos e passarinhos
"Tinha uma pedra no meio do caminho. No meio do caminho tinha uma pedra". Afinal de contas, "caminhante, não há caminho. Se faz o caminho ao caminhar". E por isso mesmo, "vocês que estão aí atravancando o meu caminho, vocês passarão! Eu passarinho".
Com agradecimentos aos poetas brasileiros Carlos Drummond de Andrade e Mario Quintana e ao poeta espanhol Antonio Machado.
Com agradecimentos aos poetas brasileiros Carlos Drummond de Andrade e Mario Quintana e ao poeta espanhol Antonio Machado.
domingo, 25 de março de 2012
quarta-feira, 21 de março de 2012
Dimensões do Amor
Conjugado num apartamento, o amor deixa de ser vento.
Passa a ser casa.
Deixa de chão.
Passa a ser asa.
Deixa de ser sonho. Vira teto.
Deixa de ser ideia. Passa a ser concreto.
Passa a ser casa.
Deixa de chão.
Passa a ser asa.
Deixa de ser sonho. Vira teto.
Deixa de ser ideia. Passa a ser concreto.
terça-feira, 20 de março de 2012
Manifestação
Faça a festa e se manifeste.
Seja você mesmo!
Você é quem se veste?
Quem diz ser?
Todos os dias
olhe para o espelho quando amanhecer;
A mãe é ser?
A mãe é natureza. Então reza.
O Pai está em você? o Pai nosso?
Se o pai está você é.
Então diga: eu posso!
Seja você mesmo!
Você é quem se veste?
Quem diz ser?
Todos os dias
olhe para o espelho quando amanhecer;
A mãe é ser?
A mãe é natureza. Então reza.
O Pai está em você? o Pai nosso?
Se o pai está você é.
Então diga: eu posso!
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