Palavras à Milanesa

Palavras à Milanesa
Não! Este blog não é de gastronomia. Mas de palavras. À Milanesa. Palavras simples como este prato de arroz com feijão, bife e batata frita.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Réveillon







Sob nova direção, leme na mão, o mar agora está pra peixe.
Não se queixe: 2013 está aí, aproveite!
Somos todos juntos no mesmo barco,
Remando a favor do vento que inventamos.

Todos no mesmo tom, na expectativa.
Os convites já chegaram.
A melhor roupa vamos tirar do armário.
E vamos tirar do armário também os excessos, os medos.
A falta de coragem.

Seguir viagem!
A noite que chega do 31 é derradeira.
Disto ninguém se livra! O ano vira para todos e para todos é recomeço.
Não tem parada. Tudo está em pé!
Feliz 2013! O ano novo é o que é!

Encontro das Artes




Procuro a verdade
Que seja dito
popular.
A música que seja pra pular.
O verso que seja livre,
O livre arbítrio.
O leve delito.
A flambada cereja.
O bolo de chocolate.

Procuro a melhor parte
Do ser que seja:
Eu = Você.
O beijo teu que me esqueceu.
Procuro o cinema que seja
conceitual.
O teatro reflexivo.
O Amor explosivo.
O amor calmo.
Sem tudo isso eu não vivo.
Onde está a flecha, cadê o alvo?

Onde está minha canoa?
Com quantos paus se faz uma?
Vou pra Araruama, vou pra Araruama.
Ver se lá eu me arrumo.
Vou de canoa, vou sem rumo.

Procuro a pintura expressionista.
O melhor quadro.
A minha artista, a mulher que eu enquadro.
É você que trago, que respiro.
Você é meu encontro das artes.
Encontro comigo mesmo.
Consigo mesmo. Você eu consigo mesmo.

domingo, 30 de dezembro de 2012

A mulher amada





A mulher amada precisa gostar de vinho tinto seco e da pizza “paulistana” do Bráz. Precisa ter dentes brancos, lábios macios e a alma leve. Deve ficar à vontade ao falar de si mesma. E ter a certeza de que morar no Grajaú é a melhor coisa do mundo. Precisa gostar de Quintana, de quintal e de fruta no pé. Torcer pelo Fluminense e o ter paladar infantil é fundamental. Uma pequena dose de timidez a faz ficar extremamente charmosa.

A mulher amada é simples. E é sofisticada. Tem o sorriso mais lindo e a pele branquinha, suavemente avermelhada, queimada pelos cinquenta tons de cinza do sol da praia de Ipanema. Ela precisa saber que tem pressão alta. Mas que pretende que fique normal. Que quer voltar a fazer exercício e que seu joelho não vai lhe atrapalhar. Ah, precisa aprender a usar o telefone celular. Para emergências. Também precisa gostar de nadar em mar aberto e, de vez em quando, fazer alguma travessia. Com regularidade, muitas travessuras. Estar atenta às fases da lua e ao movimento das marés é de bom tom.

A mulher amada pode até ser uma melancólica otimista, mas nunca o contrário. Por que a melancólica otimista sempre tem uma ponta de esperança. Ela precisa não querer ser beijada na primeira noite, mas ter uma vontade grande de que isso aconteça nos encontros seguintes. Ah, a mulher amada! Dada a receita fica fácil. Ela é tão amada e tão doce que não precisa de nada. Só de ser amada. A mulher amada precisa ser ela, a guiar, como anjo, o coração daquele que ama. Ela é simplesmente adorável. Ou não?





terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Táxi para Folégandros




Era madrugada. O casal caminhava pela rua da Carioca, no centro do Rio. A via estava deserta. No meio do caminho havia pedras. E lixo, muito lixo. E ratos. Eram muitos e se aproveitavam da sujeira humana, de raspas e restos, armando ali mesmo seu banquete. Ao ver os ratos, a moça de vestido branco - branco como a pureza de sua alma - sentiu medo. Pelos ratos e por ela.
O que seria de sua vida num futuro próximo? Agarrou-se, então, ao braço de seu companheiro e ali encontrou conforto. Ficaram em silêncio por instantes e depois riram. Àquela altura da rua da Carioca, aquela hora da madrugada, naquele exato instante, não havia palavras para se descrever o sentimento do mundo. Foi então que ele fez uma pergunta a ela:
- O que você quer da vida?
- Perguntinha difícil - disse ela, respondendo sem responder.
E voltaram novamente para seus pensamentos e reflexões.

Em seguida, a moça de vestido branco, como que rompendo novamente o silêncio, conta então uma curiosidade:
- Sabe que existem pessoas na Terra que são anjos? Todos têm seus anjos da guarda, mas algumas pessoas nascidas em determinadas datas não os têm por que são elas os próprios anjos. Têm o dever de proteger as pessoas, são gênios da humanidade. Esse é meu caso! Como você sabe, o meu aniversário é em 12 agosto. E essa é uma das datas mágicas. Pode procurar na internet – arrematou.
Após 10 minutos, encerrada a pequena história dos anjinhos, acabava a caminhada pela rua da Carioca. O casal chegava à avenida Rio Branco. Ali, fazem sinal e embarcam num táxi. Como destino, bandeira dois, a ilha grega de Folégandros. A viagem seria um pouco longa. Mas lá, naquele paraíso mediterrâneo, estava escrito que teriam dois filhos. Presentes dos deuses gregos. A impressão é de que serão felizes para sempre. No rádio do carro tocava a música “Anjo”, daquele conjunto Roupa Nova: “Fique em silêncio, deixe o amor entrar”.


A música funciona como signo sinal. Ela, então, se lembra de um pensamento ouvido recentemente:

“O mundo pode agora surgir com sua bela singeleza. As flores têm agora o perfume original de sua castidade. A vida é um contínuo chegar de esperanças.”

Já era o dia 22 de dezembro de 2012. Já a Era de Aquários. E o mundo não tinha acabado.


P. S. EU TE AMO.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Para Febea





Espero que esteja bem por aí. Escrevo hoje essas pequenas linhas na forma de homenagem, dedicatória e oração à sua presença que tanto iluminou nosso Planeta Terra em sua breve passagem por aqui. O Sylvio me fala muito de você. Diz que tem saudades. Ele diz também que vocês foram muito felizes nos 19 anos de casados aqui embaixo. Ele tem verdadeira admiração por você. E isso é bonito de ver. As meninas estão ótimas. Ouço falar que no início foi difícil pra elas. Não seria diferente. Você foi uma mãe maravilhosa, presente. Você foi um presente. Você é! Tenho certeza de que está orgulhosa das belas e fortes mulheres em que se transformaram as suas pequenas. Você também deve estar orgulhosa por ser avó. Seus três netos são pessoas muito especiais: Ligia, Manuela e André. Três italianinhos. Oh, raça forte! Você lembra de quando teus últimos dois netos nasceram? Você se lembra da Dani, amiga-irmã das meninas? Pois não é que a Isabella, a Gabi e a Dani tiveram filhos em sequência, num espaço de 21 dias entre o nascimento de seus bebês? O Sylvio me disse que uma vez você comentou com ele que quando a Isa engravidasse, a Gabi também engravidaria logo em seguida. Ou vice-e-versa. E aconteceu. E Dani, então? Sabe que aquela viagem que você organizou pra ela ir à Itália com a Isabella deu frutos? Você nem imagina. Ela virou professora de italiano. Ou melhor, sei que você imagina. Sei que está vendo tudo aí de cima sim. A casa de Itaipava está lá do mesmo jeito que você deixou. A única diferença é que o Sylvio construiu um chalé, como você deve acompanhar. De resto, está tudo está aqui, igualzinho. Apenas se passaram alguns anos. Mais precisamente 26 anos. Foram longos, mas passaram. Ah, e sabe o livro do Salinger que o Sylvio te deu em 1966, em Milão, quando vocês eram namorados, com uma linda dedicatória? Encontramos ele. Faremos uma reunião para celebrar você em torno dele. Vai ter um monte de gente legal aqui que vai te conhecer um pouquinho. Benção, Febea. Fica com Deus! Ci vediamo!

Rio de Janeiro, 6 de novembro de 2012, Planeta Terra.

domingo, 28 de outubro de 2012

Arquitetura






Arquitetura






Conjugado num apartamento
amor deixa de ser vento.
Passa a ser casa.
Passa a ser chão.
Passa a ser asa.
Deixa de ser brasa. Passa a ser fogo.
Fogão, brasão, cama e mesa.
Deixa de ser escassez. Passa a ser riqueza.
Lucidez.
Deixa de ser sonho. Vira teto.
Deixa de ser ideia. Vira concreto.
Parede com parede.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

A Metáfora da Chegada





Há de raiar um novo dia. Mesmo que a esperança se transforme em poesia. Jesus Cristo já sabia. Muitos lhe virariam as costas. “Pedro, Pedro, ao cantar do galo tu me negarás três vezes”, assim ele dizia, assim confirmou-se. E aconteceu com José e Maria. Quando o Menino-Deus dentro da barriga da mãe ia, o casal procurava um hotel em Belém de Nazaré onde desse à luz Maria. Um pouco de conforto era justo com forasteiros cansados em busca de hospedaria, em busca de revelar o Messias. Há de raiar um novo dia. Jesus Cristo já sabia.

No entanto, os insensíveis donos de hotéis da cidade de Belém julgaram o casal, como sempre os humanos fazem. Donos de hotéis são humanos: preconceitos e arrogâncias trazem. E julgaram o casal de forasteiros pela aparência. Eles, os donos de hotéis, acharam que José e Maria não eram dignos de dormir em suas luxuosas camas, de se secar com suas caríssimas toalhas. Homem, homem! Todo homem tem falhas. A pouca fé é uma delas. Não espalha. Às vezes o fogo é só de palha. Mas voltando aos donos de hotéis, eles tiveram pouca fé. Com certeza. Duvidaram, sem certezas. Foram omissos.

Acreditar. Basta acreditar. O melhor acontece. Deixa estar. Deixa na sala de estar. Deixa na estrebaria. Jesus Cristo já dizia. Na manjedoura nasceria. Em condições precárias, mas nas condições que merecia. Há de raiar um novo dia. Jesus Cristo já sabia. Jesus Cristo perdoou os pobres donos de hotéis que não gostavam de poesia, que a seus pais negaram moradia. Ele disse: faça-se a luz e a luz se fez. Ontem, hoje e sempre, de uma só vez. A metáfora da chegada é a mesma da partida. Por que chegada sem partida é incompleta, é vazia. É ciclo que não se fecha. O melhor acontece pra cada um. Somos Um. Jesus Cristo já sabia.

Cinquenta Anos em Cinco





Diretor completa 50 anos de carreira preparado para mais 50



Cacá Diegues é um ilustre representante da boa safra do outono de 1940 das Alagoas, onde nasceu na capital do Estado, Maceió. Dono de uma fala pausada e gentil, Cacá é um dos maiores nomes do cinema nacional. Ao lado de cineastas como Glauber Rocha como um dos criadores do Cinema Novo, Cacá segue empunhando sua câmera e lançando seu olhar de cronista audiovisual sobre a realidade brasileira.

Em 2012 o cineasta completa 50 anos de carreira, desde que lançou seu primeiro longa “5 X Favela”, em 1962. O bom momento foi no celebrado no último dia 15 de outubro, quando ele foi homenageado pela 11ª edição do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, promovido pela Academia Brasileira de Cinema, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

“Me sinto muito novo para receber esta homenagem. Mas ao mesmo tempo é uma honra pois ela vem do reconhecimento dos meus pares, cineastas”, disse Cacá, ao final da cerimônia. “Vou filmar até meu último suspiro”, completa ele que assina ao lado da mulher, Renata de Almeida Magalhães, a produção do filme “5 X Pacificação”, documentário sobre as UPPs, lançado pela Luz Mágica, empresa do casal, previsto para entrar no circuito em novembro. Entre um filme e outro - Cacá também produziu “Giovanni Improtta”, dirigido e interpretado por José Wilker, baseado no personagem do novelista Agnaldo Silva – ele dirigiu o clip Kamasutra, que integrou o 27º álbum da carreira do Tremendão Eramos Carlos, recentemente lançado. “Foi uma experiência excitante e prazerosa" , confidencia Cacá.

E como 50 anos de carreira no caso do cineasta não é sinônimo de aposentadoria, no ano que vem ele roda o filme “ O Grande Circo Místico”, baseado no poema de Jorge de Lima, que virou peça de teatro e, em 2013, vai se transformar em filme, 30 anos após a montagem do espetáculo. A trilha sonora também será assinada por Chico Buarque e Edu Lobo e o papel principal, convite feito, convite aceito, será do ator Lázaro Ramos. Mais uma produção da Luz Mágica.

O sucesso por detrás das câmeras e a produção audiovisual contínua têm seu nome nos créditos nas telas de Cacá. Há 31 anos, ele é casado com a produtora Renata de Almeida Magalhães, filha do advogado e político brasileiro, Raphael de Almeida Magalhães, falecido no ano passado. Juntos, os dois tiveram a filha Flora Diegues, 25 anos, a única dos três filhos de Cacá que seguiu os passos do pai. Os outros são Isabel e Francisco Diegues, filhos da união com a cantora Nara Leão. Isabel dedica-se à sua editora Cobogó e Francisco tem uma empresa de tecnologia. A outra “filha” de Cacá é Julia São Paulo, do primeiro casamento de Renata, mas praticamente criada pelo diretor e produtor de cinema. Sobre a esposa, ele diz: “A Renata mudou a minha vida. Somos casados e sócios. Ela manda em mim em casa e na rua”, brinca. E para Nara Leão, de quem ele se separou 12 anos antes da morte da cantora, em 1989, Cacá só tem elogios. “Nara foi uma das grandes mulheres brasileiras de seu tempo".

E assim, rodeado pela família e cheio de projetos, Cacá Diegues vai comemorando 50 anos de carreira. “Me sinto oxigenado e pronto para mais 50 anos”, finaliza. E já que o número do momento de Cacá é o “cinco”, são cinquenta anos em cinco, como dizia o slogan da campanha do ex-presidente Juscelino Kubitschek.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Tio és también padre





Un tío tan cerca como se quiere.
y que se vá.
A lo lejos, en un instante, distintamente.
Hacia a debajo de tierras latinas, altiplanas, hermanas.
A juntarse a la pachamama.
Si, son tierras bolivianas.
Tío, tío, tío también és padre.
Tío con la misma sangre, de la misma raza.
Del mismo compás y dibujo.
Tío, te lo juro:
otras dimensiones te abrazam para seguir tu viaje.
Otras encarnaciones.
Lleva en tu equipaje
nuestra ultima cita el La Paz.
El último CD de jazz.
El último bolero.
Eso espero.
Tio querido, hasta siempre, hasta pronto.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

No Metrô






Desço as escadas rolantes.
O coração bate forte,
ofegante.
No outro lado da estação,
na linha do horizonte
ali defronte, ao norte.
A felicidade me sorri, diz adeus.
E foge.
Oh, meu São Jorge,oh, meu São Jorge.
É a morte, é a morte,
meu Deus!

No Cinema





Desvio o olhar.
Você não me beija.
A melhor parte do bolo é a cereja.
Mas essa eu não tenho.
Me contenho.
Você me olha sem graça.
Eu, sem ação.
Por que caminhos passa
o meu coração?

TIO TAMBÉM É PAI




Um tio tão próximo que se vai.

Distantemente, num instante, instantaneamente.

Pra debaixo de terras latinas, altiplanas, hermanas.

Terras bolivianas.

Tio, tio, tio também é pai!

Tio do mesmo sangue, da mesma raça.

Do mesmo compasso e desenho.

Tio, tio, tio que já não o tenho.

Outras dimensões te abraçam pra seguir sua viagem.

Outras encarnações.

Leva na bagagem

Nosso último encontro em La Paz.

Leva na bagagem o último jazz, o último bolero.

Até sempre, até mais!

Assim espero.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Amor Distraído






Sem resposta, fiquei sem resposta.
Como a mesa que é posta sem poder desfrutar.
Como o poder e o não poder concretizar.

Fiquei sem a resposta da menina.
Que me deixou na esquina,
sem dó, nem piedade.

É melhor não falar nada.
Do que dizer a verdade.
É a sua filosofia.
A indiferença é a pior das ironias.
E o que não passou já é página virada.

Sem resposta, fiquei resposta.
Não dá mais, perdi essa aposta.
De quem será que a moça gosta?
Coração já ocupado, coração já ocupado.

Sua resposta foi a indiferença.
Cheque que não compensa.
Amor descartado, devolvido.
Distraído, amor distraído.


Distraído, amor distraído, destratado, desvalido.

sábado, 13 de outubro de 2012

Eleonora Falcone: a singeleza da música popular brasileira e paraibana




Cantora se apresenta no Projeto “Levada Oi Futuro” hoje à noite em Ipanema




Coloque-se uma cantora com tipo mignon, de timbre doce e ótima extensão vocal num local intimista, palco bem iluminado, acompanhada por três músicos elegantes e competentes (Anderson Mariano – guitarra e violão, Adriano Ismael – baixo e Flávio Boy – bateria e pandeiro) e à frente um público ávido e saudoso após 11 anos de ausência da referida cantora das casas de shows cariocas. O resultado é um belo espetáculo de Eleonora Falcone, cantora e compositora paraibana, que participa até hoje, sábado, do projeto “Levada Oi Futuro”, na casa em Ipanema.
Falcone, que já morou no Rio, por razões que o coração desconhece andou anos afastada das terras cariocas. Imperdoável ausência que, com apoio do Oi Futuro, a Zucca Produções, mais Jorge Lz e Roberto Guim

arães, curadores da iniciativa, reparam agora por meio do projeto de trazer sons e artistas de diversas partes do Brasil para o coração de Ipanema, a preços populares ( R$ 20,00).
Ao longo da pouco mais de uma hora de show, Eleonora brinda o público com belas canções de “MPB da P”. Ou seja, uma música popular brasileira vinda autenticamente da Paraíba, com teor romântico e confessional. Quase como se fossem ( e são) pequenas crônicas poéticas, com uma pitada da “nordestinidade” evidentemente presente em sua atitude no palco e no orgulho que demonstra do “ser paraibana”.
Eleonora promove de modo sagaz o encontro de sua MPB da P com a MPB por meio de várias das canções do repertório de seu show. Entre elas “Duas Margens”, de Chico César e Lucio Lins, música que batiza o espetáculo. No show ela mistura músicas de seu álbum carioca “Apetite” com outras de seu CD paraibano “Eu tenho um pedaço de sol que guardo comigo desde menina”.
Pode-se afirmar que Eleonora é uma artista quase completa. Além de boa cantora, é boa compositora. Entre algumas das músicas d show, destacam-se “Carta de Amor” e “Pedaço de Sol” ambas com Lúcio Lins. O verso “Eu pulava muros e sonhava nuvens, eu saltava mundos e contava estrelas. Eu dizia tê-las na palma da minha mão”, da música “Pedaço de Sol”, é absolutamente lindo. A parte do fino trato com as palavras e da construção de belas imagens poéticas, a cantora tem presença e atitude cênicas no palco, resultado dos anos em que estudou teatro no Rio, e um olhar penetrante e forte que dirige ao público quando desce à plateia na busca de um contato mais próximo com seus interlocutores.
Não é à toa que nomes como os dos cantores Ney Matogrosso são fãs de Eleonora. O produtor Ronaldo Bastos, da Dubas, que edita suas músicas, estava emocionado em ver o reencontro de Falcone com os palcos cariocas: “Sou fã da Eleonora. É um privilégio poder vê-la novamente aqui no Rio de Janeiro”, disse Bastos ao final do show de sexta-feira. Eleonora Falcone é a singeleza da música popular brasileira da Paraíba em pessoa e “em cantora”. Show imperdível. Vá correndo que ainda dá tempo. É hoje à noite no Oi Futuro Ipanema.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Soneto das Crianças


Livremente inspirado e parodiado do Soneto de Fidelidade
(de Vinicius de Moraes)


De tudo à minha criança serei atento.
Sempre e com tal zelo
que vou me lembrar das viagens infantis para Arcozelo.
E das brincadeiras que inventei e que ainda invento.

Quero viver a criança em mim em cada vão momento.
E em seu louvor hei de espalhar meu canto.
E rir meu riso e nunca, jamais,derramar pranto.
Por que tristeza não se põem na mesa, se não me levanto.

E assim, quando mais tarde me procure a criança que um dia fui.
E eu, de puro sentimento, jure.
Que o passado deixei pra trás e é o amor que em mim flui.











For a Child







For a Child


Quem é você que eu não conheço mas que é uma criança?

Quem é você que é pequeno e nunca perde a esperança?

E que é grande e vai sempre na minha lembrança?

Quem é você que sempre entra na dança?
Pula corda, dá as cartas, joga o jogo.
Sempre com sorriso no rosto.

Quem é você que me aborda no sinal fechado?
Que me pede trocados e vai embora.

Tio, eu sou a criança que chora, a criança que vale.
A esta hora exactamente hay um niño en la calle, hay un niño en la calle.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Sobre Escadas, Memórias e Outros Planos





Meu nome é Theobaldo. E nas minhas memórias de infância e juventude tenho registrado que usei e abusei de escadas. Na infância, morávamos num apartamento térreo, em Copacabana, mas nosso prédio tinha uma longa (para mim à época) escada, que dava acesso da rua ao primeiro andar, onde ficavam os apartamentos térreos. Assim, eu não tinha outra alternativa que não subir pelas escadas (longas para mim à época) que davam acesso ao nosso apartamento. Eram outros tempos, e eu tinha fôlego pra isso.

Mais tarde, eu cresci, mas continuei usando as escadas para ter acesso a outras portas dimensionais. No caso, a porta do apartamento do meu pai, na Glória.. Ele morava numa cobertura. O elevador só ia até o 12º andar e nós precisávamos subir mais um lance (longo para mim à época) de escadas. O prédio era antigo. O elevador mais ainda. Não foram raras as vezes em que chegávamos e o elevador estava parado para manutenção. E como era cobertura, só tínhamos um elevador que nos servia. E aí não restava outra opção que não subir os treze andares de escada. Eram outros tempos. Eu tinha fôlego pra isso.

Mais tarde ainda, as escadas continuaram presentes na minha vida. Sempre que eu queria alcançar outras dimensões, eu me conectava com as escadas. Eu tive uma namorada que morava no Grajaú. O prédio dela eram dois apartamentos por andar. Uma noite, chegamos à casa dela bastante animados por assim dizer. Como tínhamos certeza de que os vizinhos do lado não estavam, começamos “os trabalhos”, se é que me entende, ali mesmo no hall, nas escadas de serviço do andar dela. Foi uma experiência incrível. Fui a outras dimensões, fomos às nuvens. Até então, eu era um pouco travado pra essas coisas, mas depois desse dia, eu me libertei. Libertei a literatura que estava em mim e o sexo também. Tinha toda uma energia sexual dentro de mim prestes a explodir. E explodiu. Eram outros tempos. Eu tinha fôlego pra isso!

Bem mais tarde ainda, eu me casei. Na vida de casados sempre moramos em andares baixos, tipo até o segundo piso. Assim, eu dava preferência para usar as escadas a fim de ter acesso aos apartamentos em que moramos nos diferentes períodos do nosso casamento. Os três filhos vieram e eu ensinei isso pra eles: “Usem sempre as escadas”, eu dizia. E ia junto com eles, acompanhando-os no subir e descer lépido e fagueiro infantil. Eram outros tempos e eu tinha bem mais fôlego pra isso.

Bem, bem mais tarde ainda, eu me separei. Mas continuei subindo e descendo escadas. Como os antigos incas, eu acredito que escadas são a única forma de atingir ao plano divino. Eu ainda não atingi este plano, mas estou no caminho – e pelas escadas. O tempo passou. Juntei o elemento “chave” às escadas. Afinal, elas podem de fato até nos levar a novos planos dimensionais, mas se você não tiver “a” chave, não vai adiantar nada. Vai chegar e ficar ao relento, do lado de fora e sabe-se lá em que dimensão. Estou em busca do ágape, o amor universal. E em outra dimensão. Vou pelas escadas. Afinal, são outros tempos. Tenho muito fôlego pra isso.

domingo, 7 de outubro de 2012

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

O Chato Simpático








Quem é esse chato, o assessor de imprensa? Há de ser uma pessoa que goste de acordar cedo, mas não tão cedo. Para assim tomar contato com a notícia, por meio dos jornais, antes de todos. Não precisa ser um fanático pela notícia. Mas é preciso que corra atrás dela, que a valorize. Estar antenado com tudo o que se passa à sua volta, na pequena e na grande esfera, é uma condição importante. Para ser um bom assessor de imprensa é preciso ler diariamente os principais jornais e saiba quem são as pessoas que estão do outro lado, na redação. É importante que tenha boa memória, que cumprimente o repórter e o editor pelo nome ( desejável).
Precisa também ser persistente. Mais do que o repórter. E saber conquistar sua confiança com boa conduta e boa índole. É necessário que saiba a hora certa de ligar para as redações. Nunca nas horas de fechamento. Precisa também ter noção do que é uma nota para não oferecer bobagens para o colunista e não queimar a si e a seu cliente. Precisa demonstrar boa educação, saber abordar e saber, sobretudo, ouvir um “não”. E quando houver espaço retrucar esse “não” e saber reverter o quadro.
Com o mercado profissional enxuto, às vezes com poucas opções nas redações, não é mais urgente que passe por uma grande redação. Com a difusão das assessorias de imprensa é cada vez maior o número de universitários que se formam e vão direto trabalhar numa assessoria, seja ela uma empresa especializada na área, ou mesmo uma grande empresa que dispõe de um departamento de imprensa.
Mas fique tranquilo se você não tem todas essas características. Tudo na vida é uma questão de treino.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Foi-se o inverno





Este inverno foi dose. Dose pra leão, pra mate leão e nem foi essa coca-cola toda. Dose foi também ter que matar mais de um leão por dia, pagar as contas com atraso e conviver com a carestia. Foi o inverno da foice, do vergalhão ou de qualquer instrumento pérfuro cortante, contundente que despenca rumo à cobertura de carne do trabalhador civilizado. Entre mortos e feridos, salvaram-se alguns. Pelo menos os três cidadãos que foram atingidos ou atingiram vergalhões enquanto labutavam, lutavam pelo ganha-pão ou soltavam pipa. Milagre. Pode-se assim dizer. Outros dirão que não foi chegada a hora. O fato é este inverno também foi o inverno dos acidentes dos BRTs na Transoeste. Seja lá o que significa BRT ( parece sigla de partido político sem o “p” de partido), parece que as pessoas têm andado apressadas demais . Demais da conta. E no final das contas, vão ter que acertá-las mesmo é com O cara lá de cima. A pressa é inimiga da perfeição. A pressa mata! Não mate leão, não mate! A pressa passou apressada e mandou lembranças. Passou a mais de 100 por hora e atropelou a esperança. Não deixe que sua pressa atrapalhe sua esperança e mate a si mesmo no meio do caminho. Pois se no meio do caminho tinha uma pedra, vamos removê-la, vamos largá-la. A via é larga, mas passa um de cada vez. Vamos juntos que atrás vem gente. Avante. Agora chega a primavera. Prima irmã do verão, que antecede. Vamos com prudência, sem pressa demais, sem muita sede ao pote, apenas esvaziá-lo e tornar a enchê-lo. Com paciência e zelo. Viva à primavera! Melhores dias agora, melhores dias no verão, melhores dias virão!

domingo, 16 de setembro de 2012

O beijo






O beijo nu.

O beijo nu espalha suas marcas pelo espelho.

O beijo nu espalha seus segredos pelo espelho da cômoda que não se incomoda.

O beijo vira moda.

Moda de viola.

O beijo viola os sentidos.

O beijo, crente que é gente, não me dá ouvidos.

domingo, 12 de agosto de 2012

Não Basta Ser Filho



Eles são filhos e trabalham com os pais


Parodiando o comercial, muitas vezes não basta ser filho. Tem que participar. Muitos filhos têm acompanhado os sonhos profissionais de seus pais, transformando-os em seus próprios sonhos. E em sua maneira de ganhar a vida.

Aos 30 anos, formado em comunicação social pela UniverCidade, René Wegner é um exemplo disso. Formado em 2005, ele mal deu as caras à profissão que escolheu antes do vestibular. Assim que se formou, largou o estágio em marketing num shopping do Rio. O movimento coincidiu com o fato de seus pais abrirem, naquele ano, a Hidrovida – Atividades Aquáticas, na Gávea, uma academia de natação para adultos e crianças, que tem ainda hidroterapia, hidropilates, atividades voltadas para gestantes, entre outras.

Desde então, já são sete anos que René administra a Hidrovida, ao lado seu pai, o engenheiro civil Ronaldo Wegner, e da mãe, a fisioterapeuta e professora de educação física Sandra Jabur Wegner, que é a coordenadora geral do centro de atividades aquáticas.

Para René, o principal desafio é separar a vida familiar da profissional, tanto na Hidrovida, quanto em casa. “Há 3 anos decretei que não teria mais jantar de negócios às 22h, no sofá da sala".

No ramo da cultura e das letras, a história mais ou menos se repete. O professor de literatura brasileira no ensino e da universidade de teoria literária, Carlos Afonso garante que não se afastou da sala da aula há quase 20 anos, quando fundou a Toca do Vinícius, primeiro numa galeria na rua Visconde de Pirajá, tendo migrado depois de um ano e meio para a rua Vinicius de Moraes.

“A Toca é um projeto pedagógico e educacional. Hoje, sou mais educador do que quando estava numa sala de aula”, destaca Carlos. Seus filhos, hoje na faixa dos 30 anos, já eram adolescentes quando Carlos Alberto e sua esposa Natalina abriram Toca. Aline, Leila e Carlos ( filho) que passaram agradáveis anos atrás do balcão da Toca, hoje de certa forma ainda trabalham com seu pai.

Leila, a primogênita, administra, ao lado de seu primo, a livraria Bossa Nova & Cia, no Beco das Garrafas, em Copacabana, que é um desdobramento da Toca. Cacá, o filho, é hoje professor de literatura em Berlim, na Alemanha, seguindo os passos de pai, e Aline, a filha do meio, formada em comunicação social, que também mora na Alemanha, trabalha como web designer e é responsável pelo site da Bossa Nova & Cia, entre outros materiais gráficos da Toca do Vinícius. “Trabalho hoje com minha filha pelo skype”, diz o pai gaiato.

sábado, 4 de agosto de 2012

Quem Tem Medo de Taumaturgo Marona?






- Alguém aqui conhece o senhor Taumaturgo Marona? Embora possa parecer embaraçosa, a pergunta faz-se necessária nesse interrogatório. Ele é um cidadão que representa perigo à sociedade, uma pessoa claramente má. Isso já é perceptível para todos nessa delegacia, que a partir de agora o considera um foragido da Justiça. A última vez que o elemento foi visto, ele caminhava pelo centro histórico da cidade de Paraty, na costa verde do Rio de Janeiro, em atitude suspeita, relatou o delegado.

Marona lá esteve para lançar, dentro de festejado evento literário, seu livro: “Autobiografia de um Iogue – O pegador da Travessa” ( editora Oito e Meio). O projeto de galã estava lá ainda para paquerar as meninas e – dizem as línguas mais ferinas - também alguns meninos do Clube da Leitura, festejado coletivo que se reúne quinzenalmente com objetivo de ler e escrever contos e falar da vida alheia.
Tal e qual um conhecido jornalista, que acaba de lançar um livro no qual narra histórias com amigas reais e ficcionais, Marona repete a fórmula transpondo-a para sua autobiografia, citando nominalmente alguns integrantes do Clube da Leitura, com quem, jura, já teve alguma coisa.

No livro, estão os personagens Danielle Aguiar, Juliana Costa, Ana Claudia Goldschmidt, Maira Ribas, Loana Calomeni, Daniel Fernandes, George Preger, Guilherme Patiño e Julio Matos, todos integrantes do clube dos que já tiveram alguma coisa com Taumaturgo Marona. Num trecho da obra, a personagem de Danielle Aguiar assegura que Taumaturgo Marona é uma pessoa popular. – Ele é mega popular, diz ela toda animadinha. A personagem de Ana Claudia Goldschmidt, por sua vez, diz que o conhece sim e que ambos já ficaram numa das festas do DJ Acaro. Como a personagem de Ana Claudia estava em busca de um namorado que fosse atleta, ela se encantou por Taumaturgo Marona, que além de iogue e vendedor de livros, pratica natação em mar aberto.

Em outro trecho do livro de Marona, a personagem de Juliana Costa narra que conhece sim o autor e que ele seria amigo de um ex-namorado seu. Segundo ela, “rola papo”. Mas não é isso que vocês podem estar pensando, pois o personagem de Juliana Costa é muito fiel e comprometido com seu namorado. Outro personagem, o personagem de Daniel Fernandes se apressa em dizer, no livro, que em breve a editora Oito e Meio vai lançar o próximo livro de Taumaturgo Marona: será um livro com todos os tipos de receitas com pamonha. Como se sabe, aliás, o personagem do Daniel Fernandes trabalha na editora Oito e Meio e repete isso como um mantra em todos os eventos dos quais participa.

Na parte do livro a ele dedicada, o personagem de Guilherme Patiño, como se insinuasse que existe algo no ar, maldosamente destaca que, apesar de vários integrantes do Clube afirmarem conhecer Taumaturgo Marona, “ele, o Marona, se lembrou mesmo foi do Ribas”. Algumas páginas à frente, o personagem de George Preger levanta a possibilidade de Taumaturgo Marona ser filho do detetive Mauro Marona, vulgo Mauro Fofoca. O personagem de George Preger chegou a essa conclusão simplesmente pelo fato de o sobrenome Marona não ser muito comum. Mas enfim, após a suposição levantada pelo personagem do Preger, na sequência os personagens de Julio Matos e da Maira Ribas lavam as mãos e afirmam veementemente que não conhecem Taumaturgo Marona. E nem mesmo o pai dele. Por fim, a personagem de Loana Calomeni faz a linha curta, grossa e seca: “Declaro que não conheço Taumaturgo Marona.” E aí chegamos ao final do livro.

Corta para o serviço de escuta da delegacia:



“Atenção Atenção, uma viatura desta DP acaba de passar um rádio informando que o foragido Leonardo Marona foi detido em Paraty, mesmo lugar onde fora visto recentemente. Ao ser preso, o escritor, vendedor, iogue e atleta declarou que estava na cidade apenas para, por sugestão de seu editor Daniel Fernandes, pedir autorização ao jornalista Garton Ash para usar uma frase de seu livro “The File”, “Se pelo menos eu tivesse encontrado em toda essa busca uma única pessoa claramente má”, como epígrafe de seu próximo lançamento”. Definitivamente, Marona não é má pessoa. Quem tem medo de Taumaturgo Marona?

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Rodrigo Otávio





Um prédio antigo, de quatro andares, sobre pilotis e vagas para os carros numa garagem meio improvisada. Ficava na avenida Rodrigo Otávio, bem ali na Gávea, no Rio de Janeiro. De frente pra praça com grandes e frondosas árvores que nos recebiam generosamente todos os dias. Tinha sol da manhã e vista para o Cristo.

Apartamento pequeno, dois quartos. Mas as crianças sabiam usar cada espaçinho daquele imóvel. Tinha até o pedaço de um cômodo adaptado, que se transformou para a Fernandinha e o Fernandinho no que, carinhosamente, eles chamavam de “varandinha”. Uma espécie de play interno com dois metros por dois se minha porção arquiteto não me engana. Ali cabia de tudo e todos os sonhos deles estavam lá depositados.

Nunca vou me esquecer daquele apartamento. Foram 6 anos. Uma vida. Uma vida como a do Nandinho, de 6 anos. Foi ali, na Rodrigo Otávio, que o Nando deu seus primeiros passos. Tirou a fralda, deixou de fazer xixi na cama, mudou de escola duas vezes e se transformou num rapazinho. A Nandinha, quando lá chegou, era uma esperta mocinha de 4 anos. No curso dos acontecimentos, ela se transformou numa “moça” esplendorosa, desabrochando para a vida, com 10 anos, completando sua primeira década vencida, de muitas outras se Deus quiser.

Quantas e quantas vezes Fernandinha e Fernandinho saíram pra brincar na pracinha de frente do prédio com as crianças da vizinhança. Nós literalmente ocupamos a praça. Fizemos faxina na praça, varremos a praça, cuidamos da praça. As crianças vão levar isso com elas. Quando crescerem, elas poderão se orgulhar de terem ocupado uma praça. Nem todos têm o privilégio de terem uma praça em frente ao prédio em que moram. Elas tiveram. E como é bom.

Os anos passam rápido. Eu ainda me espanto. No entanto, o passar dos anos nos brinda com o prazer e a possibilidade de ver os filhos crescerem. De ver, também, em nós mesmos as transformações que a vida nos impõe e as transformações que impomos à vida. Afinal de contas, estamos num jogo. Ora a vida cede, ora cedemos à vida. E o mais importante é que nesse jogo não há perdedor. Sigamos, assim, em busca de transformações. Sigamos em busca de uma praça para nossos filhos e nossas crianças brincarem e crescerem. Obrigado Rodrigo Otávio!


*Em tempo: Pouca gente conhece a avenida Rodrigo Otávio, embora muitas pessoas passem por ela diariamente e não saibam seu nome. É aquela avenida que tem suas duas pistas divididas por uma praça e pela qual todos que vêm do Jardim Botânico em direção à Barra, no Rio de Janeiro, precisam passar.

domingo, 15 de julho de 2012

Tema para um Lindo Dia

Clarear, esclarecer. Aprender pela cartilha da vida! E pela paz! Desobstruir, encorajar, agir! Clarabóia: entrada de sol, estrada de luz. Deixar o sorriso passar, estampar felicidade no rosto! Botar roupa nova todo o dia, estar de bem com a vida. No doce balanço da harmonia. Vestir branco, ver à cores, Tornar os dias mais bonitos, querer bem! Sorrir para todas as manhãs, mesmo as escuras! Dar à luz uma menina Clara, alva e sapeca. Saber ser igual, falar a mesma língua, brincar de boneca. Gostar de criança como de natureza e de natureza como de criança. Nunca se cansar de ter esperança. Nem às segundas-feiras chuvosas! Realizar, entrar na dança, estar no ritmo. No mesmo baticum do coração que ama! Ir ao cinema e ter vontade de voltar, ou de você crescer logo pra ir também. Urgente, urgente, eu te amo bebê! Ver beleza à beça, transbordar, transcender. Estar cheio de coragem pros dias que virão! Trabalhar e ver crescer, semear! Pensar no próximo verão! Deus te abençoe, Clara, tesouro, puro ouro, no teu batismo sagrado.Neste 8 de dezembro, quase Natal, quase nova estação. Que o calor do mundo novo te aqueça sempre e te carregue pela mão! 08.12.2002